Por mais de uma vez o candidato do PSDB ao governo do Estado, João Doria, disse que a partir de janeiro a Polícia Militar irá atirar para matar. Essa é apenas uma das tentatativas do tucano de se aproximar do líder das pesquisas à Presidência da República, Jair Bolsonaro (PSL), notório defensor desse tipo conduta e que já foi visto várias vezes fazendo gestos de empunhar uma arma e sair atirando. A disparidade de ideias que Doria defende o afasta até de alguns quadros dentro do próprio partido, que já se posicionaram a favor do atual governador Marcio França (PSB), candidato à reeleição ao Palácio do Planalto.
Apesar dessa bravata, o comando da Polícia Militar divulgou nota informando que as declarações do candidato vão na contramão daquilo que a PM vem realizado durante muitos anos, e que às duras penas vem conseguindo, que é diminuir a letalidade policial. Está claro que o que Doria diz não passa de discurso eleitoral, e a PM, uma entidade quase bicentenária, não deverá admitir isso como uma forma de manter a paz e a ordem.
Esta questão está definida e não deve mudar, o problema é o que ela pode legitimar com esse tipo de discurso. Não faz muito tempo o Alto Tietê teve dois policiais militares presos por participar de assassinatos na região. Eles atuavam como uma espécie de milícia paramilitar e promoviam o que se chama higienização, muito parecido com o jeito fascista, e muito disseminado pela sua vertente mais conhecida, o nazismo, para eliminar indivíduos indesejáveis na sociedade. Em última instância, o governador é o chefe da Polícia Militar, e em indivíduos menos preparados, esse pensamento vindo do chefe do Executivo, pode levar à criação desses grupos.
Num primeiro momento eles podem até ser aceitos pela população, como se fossem um poder paralelo, porém, com o poderio e confiança aumentando, as milícias começam a extorquir e cobrar pela segurança. Esse é o mesmo expediente utilizado no Rio de Janeiro, que adotou os grupos paramilitares e hoje eles estão infiltrados na cidade como se fossem um câncer difícil de curar.