O número de eleitores do Alto Tietê que deixou de votar na eleição de domingo superou a marca dos 244 mil, oito mil a mais do que registrado no primeiro turno. Isso representa 27% do total de pessoas aptas a votar na região, que é de 904 mil votantes, ou seja, mais de um quarto da quantidade de eleitores não compareceu às urnas, informou o Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
Os dados talvez traduzam certa descrença do eleitorado regional, forçado a votar em nomes que não o agrada, em uma eleição polarizada. Levando isso para o nível nacional, os números também impressionam. No Brasil, 31,3 milhões não foram votar, pouco mais de 21% da quantidade de pessoas que podem exercer o direito do voto, que é de 147 milhões, maior índice desde a eleição de 1998, que foi de 21,5%.
Analisando os números, é possível avaliar que o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), recebeu pouco mais de um terço dos votos, totalizando 57,7 milhões de pessoas que depositaram confiança nele. É uma votação interessante, mas longe de ser expressiva.
Mesmo que quase tenha encostado no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 58 milhões de votos em 2006, ou seja, há mais de dez anos, Bolsonaro ficou distante quando se refere à porcentagem. Naquele ano, em que Lula disputou a reeleição com Geraldo Alckmin (PSDB), o percentual de favorecimento ao petista foi de quase 61%, contra 39,1% do tucano. As abstenções chegaram a quase 17,7%, que naquela época era de 125 milhões de pessoas, uma das mais baixas. Mesmo com esse capital político, Lula não teve céu de brigadeiro para governar.
Com uma votação menor, e uma grande taxa de abstenção, Bolsonaro não deverá encontrar um caminho fácil para tocar o governo. Terá, ao menos, quase dois terços do eleitorado atento a qualquer falha. No Congresso Nacional, passada a lua de mel, o Centrão vai começar a cobrar as promessas, e nem todas devem passar pela aprovação da Câmara dos Deputados e o Senado. Será interessante ver como o novo presidente irá se comportar quando os problemas e as oposições começarem a surgir.