O anedotário médico é rico em casos que misturam imaginação com realidade, e qual de nós, médicos, já não vivemos situações que nos fez rir bastante? O Dr. Aziz Rizek, pediatra, era um que gostava de contar fatos engraçados que colecionava em seus atendimentos: "Doutor, o meu filho está com a 'obra' feia". "A senhora já viu algum 'cocô' bonito"? Ele tinha sempre uma palavra bem humorada; quando a gente o convidava para tomar um café, dizia: "Eu prefiro o meu em dinheiro".
Publicou dois livros sobre seus casos agudos e crônicos em Medicina. O matuto levou sua mulher ao médico, após ela contar o seu caso, ele indicou a mesa para o exame: "Deite aqui que eu vou apalpar sua barriga para ver onde dói." O caipira se levantou rápido da cadeira, meio nervoso, e falou: "Perguntá o senhor pode, mas aparpa a minha mulhé sou eu mesmo que aparpo".
De Santa Catarina nos veio essa: a mulher entrou no consultório, abriu a roupa da criança após colocá-la na mesa de exame, o médico se aproximou e perguntou: "O quê que a criança tem?" Nervosa respondeu: "Eu não vou dizer não senhor. O senhor não é médico prá saber?" A seguir, rápido, enrolou a criança e saiu praguejando: "Vou procurar outro, porque este daqui não sabe nada de medicina!"
Nos dois casos relatados acima faltou bom senso: o marido ciumento por não entender que o exame físico é importante para o médico chegar ao diagnóstico, e a mulher por ignorar que a história clínica é um dos caminhos para o tratamento da doença - dois meios propedêuticos que atualmente estão deixando de se usar.
Dario Birolini, cirurgião geral e professor emérito da Faculdade de Medicina da USP, simplificou com poucas palavras as mudanças ocorridas, nos tempos atuais, no atendimento médico em consultório: "Os 'pacientes' transformaram-se em 'impacientes', consultam o Dr. Google, fazem seu diagnóstico e usam o médico como 'instrumento' autorizado a solicitar exames e a prescrever medicamentos". É trágico, porém, é cômico; por isso, rir é o melhor remédio.