Mesmo devastado o bioma do Alto Tietê ainda preserva acepipes que podem resgatar biodiversidade de frutos para o nosso consumo.
Cambuci, Grumixama, Cereja do Rio Grande, Jerivá, Uvaia, Araçá, Juçara, ainda soam como nomes exóticos para você? Que pena, pois são frutas que já foram mais presentes na alimentação. Infelizmente, com o avanço do desmatamento e das plantações "comerciais", as árvores frutíferas nativas da Mata Atlântica se tornaram escassas.
Para que voltem às nossas mesas, essas frutas precisam passar por um processo de melhoramento genético que viabilize sua produção em grande escala, além, é claro, de um trabalho mercadológico forte para que o consumidor volte a reconhecê-las. O investimento e estudos voltados à produção agroindustrial seria eticamente uma maneira de pagar a dívida histórica que temos com a falta de preservação e cuidados com a Mata Atlântica.
Quando vemos proprietários rurais serem obrigados a manter uma reserva legal dentro do terreno, ou mesmo fazer o reflorestamento de uma área derrubada, ele deveria receber apoio de instituições publicas e incentivos, para fazer isso no sistema de agro florestal, que une técnicas tradicionais de uso do solo com trabalhos científicos.
O produtor rural do Alto Tietê precisa entender que manter essas árvores ou plantá-las não é só uma questão judicial, mas sim uma possível fonte de renda.
De acordo com estudos, a agricultura familiar seria um ótimo caminho para cultivo, distribuição e divulgação dessas frutas, ela sustentaria esses ciclos curtos, deixando perto do consumidor esses produtos locais de ciclo sazonal.
E isso vai se tornar um ciclo, pois quanto maior a procura pelas frutas, mais espécies endêmicas serão plantadas, assim aumentando a nossa variação de alimentos, e contribuindo para a restauração da Mata Atlântica e a absorção de carbono da atmosfera.
Consumidores do Alto Tietê experimentem, provem, degustem, e aprovem nossas frutas, elas podem fazer a diferença em nosso futuro!