Faltando pouco menos de duas semanas para as eleições, o desenho do segundo turno para a corrida eleitoral ao Palácio do Planalto parece cada vez mais definido. Caso se confirme a pesquisa Ibope desta semana, com Jair Bolsonaro (PSL) com 28% das intenções de voto, e Fernando Haddad (PT), com 22%, o embato no segundo turno ficará entre o militar da reserva e o ex-prefeito de São Paulo. Em terceiro lugar está Ciro Gomes (PDT), com 11%.
O pleito realmente está perto, no entanto, ainda não há nada totalmente definido. É preciso saber se o contingente de indecisos, que segundo o Ibope está em 18%, sairá do muro. Essa fatia pode parecer pequena, mas não é, tanto que se fosse um candidato estaria no lugar de Ciro Gomes, brigando pela chamada terceira via, e empataria tecnicamente com o candidato petista. Esse é o ponto que deverá ser trabalhado pelos três primeiros colocados nestes últimos dias, principalmente pelo ex-governador do Ceará. Os 18% de votos são suficientes para colocar o pedetista na frente dos dois oponentes, por isso a busca por esses eleitores indecisos deve se intensificar.
Via de regra, as pesquisas costumam representar fielmente o que é presenciado após a abertura das urnas, todavia, Ciro Gomes e até Geraldo Alckmin (PSDB), que está com 8% das intenções, sonham com uma reviravolta na reta final de campanha. Um caso assim já ocorreu e envolveu então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na primeira eleição pelo voto popular depois de 21 anos de regime militar e mais quatro de um governo eleito pelo colégio eleitoral.
A ocasião ocorreu em 1989 e na dianteira estavam Fernando Collor e Leonel Brizola (1922 - 2004). Lula, até um mês antes, tinha 7% das intenções de voto, mas na reta final acabou desbancando Brizola e disputou o segundo turno, vencido por Collor. Lula ainda sairia candidato em mais quatro eleições, até vencer em 2002 o candidato José Serra (PSDB). Como é possível ver, as reviravoltas ocorrem com raríssimas exceções. Resta saber o que os candidatos atrás nas pesquisas estão dispostos a fazer para incomodar os dois primeiros colocados.