Faltando apenas duas semanas para o primeiro turno das eleições, programadas para ocorrer em 7 de outubro, já ficou claro que alguns eleitores estão tomando partido de certos candidatos, principalmente os aspirantes à Presidência da República. O fenômeno é interessante e faz com que amigos de longa data, e até mesmo membros de uma mesma família, cortem relacionamentos por divergências. Mas um ponto precisa ser ressaltado. Essas discussões não estão calcadas em ideias, mas sim na defesa pessoal do candidato, da integridade moral dele, como se os defensores o conhecessem pessoalmente.
Do outro lado, dessa irritação toda estão as ofensas, também de cunhos pessoais. O vocabulário é extenso, passando de "ladrão" a outros xingamentos, entretanto, uma vez mais, essa verborragia toda não está ligada às ideias dos candidatos. Dessa maneira, pior mesmo do que uma amizade desfeita, é a violência física que isso pode causar.
É de conhecimento popular que quando se parte para a violência se perde a razão. E os argumentos, que já são poucos, não encontram mais respaldo quando se parte para agressões físicas. E nestes dias que antecedem as eleições, quanto mais próximo do pleito, maior parece ficar a raiva entre as pessoas.
É interessante lembrar que esse tipo de expediente não fará com que o votante que está fechado com um candidato passe a dar mais atenção ao outro só porque foi agredido, pelo contrário, o efeito é exatamente diferente quando se adiciona uma pitada de intolerância. Isso é possível presenciar tanto nos simpatizantes da esquerda quanto os da direita. O que é preciso ser feito é o debate de propostas e ideias, por mais rasas que elas possam ser, são essas as vias que merecem a nossa atenção, porque são elas que vão nortear o caminho dos próximos quatro anos, seja quem for o eleito.
As pessoas, por outro lado, merecem o respeito porque apesar das diferenças políticas há sempre um pai ou uma mãe de família, alguém que só quer melhorar de vida. Por isso, ataques como esse são inúteis. Como já dizia o escritor indiano Salman Rushdie: pessoas merecem respeito, ideias não.