Vive-se a era da cultura da negação! Ninguém assume o errado. Agora, negar o que se praticou é uma forma de cultivar a covardia e fortalecer a imaturidade.
E tendo como panorama o que se vive na política, gostaria de refletir sobre a postura de certas pessoas, que ao praticar algo de ruim, de alguma forma ferem o outro, até sua própria existência, quando suas ações afloram, negam, mentem e continuam na ilusão de que conseguirão enganar até o fim.
Meu olhar se volta para a observação de depoimentos de políticos envolvidos na corrupção que assola o país, e, do mesmo modo, também para a análise de minhas negações diante de situações capazes de gerar algum sentimento de medo, rejeição ou até mesmo, vergonha. Diante das múltiplas experiências e conselhos que dizem, se não existem provas, negue.
Que não se trata, diga-se de passagem, do caso de políticos: toda delação premiada só é aceita se houver provas do que é afirmado. Assim se alimenta uma existência emocional sem maturidade por causa da falta de coragem em assumir erros, limitações e medos. Abraço cada vez mais a convicção de que toda maturidade emocional está relacionada ao enfrentamento de nossos erros, impotências, fraquezas, inseguranças.
Ao se assumir o que foi praticado, crescemos e aprendemos. Todo aquele que experimenta o sentimento de vergonha ao assumir uma mentira não permanece o mesmo.
É possível mudar! Precisa-se perguntar: o que se deve assumir para mudar? Nossa existência não sustenta por muito tempo o disfarce, o engano construído por nós mesmos. É tempo de tirar o véu, assumir fraquezas e fortalecer emoções a partir da descoberta de que sempre se precisará melhorar. Amadurecer é permitir dizer sim com coragem, mesmo correndo o risco de perder, uma vez que na perda aprende-se a evitar o que não deve ser feito para manter a dignidade, a lealdade, o amor e a transparência, o que só é possível quando se assume e se para de negar.