Após anos de sua fundação, em 1554, a cidade de São Paulo começou a crescer, por volta de meados do século 19, muito graças à produção cafeeira e hoje, como a conhecemos, se transformou em uma das maiores cidades do mundo. Naquela época ainda não havia a preocupação com meio ambiente e a capital paulista, fundada entre os rios Tietê, Tamanduateí e Anhangabaú, aumentou seus domínios territoriais de forma desordenada e sem estrutura que acompanhasse esse ritmo. Os rios acabaram se tornando verdadeiros esgotos a céu aberto e hoje vemos a luta que é a despoluição de um rio.
A expansão da capital afetou o Alto Tietê, inserido na Grande São Paulo, com seu crescimento populacional e, por consequência, afetando os rios que cortam a região, os poluindo também. Mas, após tanto tempo de espera, eis que o processo de desassoreamento de córregos municipais, feito por intermédio do governo do Estado, começou anteontem, a partir do rio Jundiaí, em Mogi das Cruzes. Suzano, Poá e Itaquaquecetuba também serão beneficiadas com a limpeza de rios.
Ainda longe de promover a limpeza total dos corpos d'água, a ideia inicial é retirar o máximo possível de sedimentos para que no período de chuvas, esses locais possam receber um volume tal de água que impeçam o alagamento de ruas e a invasão de imóveis. Com a retirada de boa parte do lixo depositados nestes rios, a água excedente da chuva poderá ser melhor acomodada.
Ainda é distante do ideal, mas este é o principal ponto que deve ser atacado de forma mais urgente. Não são raros os registros de acidentes e mortes causados ou agravados por enxurradas no Alto Tietê, houve até casos em que pessoas caíram em bueiros abertos, mas que não puderam ser vistos em razão dos alagamentos. Para além dos riscos à saúde, há, ainda, os casos de propriedades danificadas pela água. Em pleno anos 2000, na região mais desenvolvida do Brasil, não é possível aceitar que pessoas ainda percam vidas e bens materiais por causa de alagamentos.
No futuro, não muito distante, talvez seja possível pensar na recuperação desses rios de forma mais ampla, como pontos turísticos, mas esta é uma segunda etapa.