A quantidade de eleitores que não compareceu às urnas na eleição para o primeiro turno em Mogi das Cruzes, no último domingo, é 57% maior do que a observada no pleito municipal de 2016 e acompanha previsão de especialistas que já apontavam para uma alta abstenção.
Cerca de 319.826 eleitores estavam aptos ao voto neste primeiro turno, entretanto, segundo os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 88.855 deles não exerceram o direito de escolher um candidato para prefeito ou vereador para ocupar um cargo público, ou seja, 27,7% do total.
O sociólogo e professor Afonso Pola, já previa, antes do pleito, que o percentual de abstenção seria superior ao de 2016, uma vez que a pandemia de coronavírus (Covid-19) intimida determinados grupos de eleitores a sair de casa para votar. Além disso, exclusivamente em Mogi, os recentes acontecimentos envolvendo vereadores denunciados pelo Ministério Público (MP) por corrupção também "aumentaram o constrangimento do eleitor". "Ainda não existe o andamento do processo, nem resultado contra os vereadores, mas é fato que isso afeta o humor do eleitorado que se sente constrangido, aumentando a abstenção e os votos brancos e nulos", explicou.
Apesar da quantidade de votos válidos cair em 4,38%, a quantidade de votos brancos aumentou nesta eleição. Em 2016, 13.470 escolheram esta opção, ao passo que neste ano, 15.921 o fizeram: elevação de 18,1%.
No Brasil, a quantidade de brasileiros que optou em abster o voto foi o mais alto nos últimos 20 anos. Foram registrados 23,1% de abstenções, frente a 17,5% na disputa passada em 2016.
Pandemia
Na análise de Pola, além da quantidade elevada de prefeituráveis (desde o pleito de 2004 não havia tantos candidatos à Prefeitura), a pandemia também poderia interferir diretamente nas eleições, uma vez que ela limitou as campanhas presenciais e, principalmente, poderia fazer com que pessoas do grupo de risco não saiam de casa para votar. Com isso, segundo o professor, candidatos que possuem sua base eleitoral em um público mais conservador, ou mesmo de faixa etária mais elevada, podem perder alguns votos. "Mesmo assim, acredito que não vai surtir um resultado muito grande no resultado final dos votos", ponderou o sociólogo Pola.