Ao longo de suas 13 faixas, "O Ouro do Pó da Estrada" trata a ideia do caminhar. A começar pela música que abre o disco, "Calcanhar", parceria de Yuri Queiroga e Manuca Bandini, com texto incidental de Bráulio Tavares, que já tinha sido gravada pela cantora pernambucana Ylana Queiroga, irmã de Yuri, e ganhou versão mais "pesada" na releitura de Elba. "É uma das minhas músicas preferidas. Gosto do resultado sonoro que a gente fez, um baião meio rock n' roll. Abri com ela, porque acho uma música forte, e é a coisa também do pisar, do caminhar".
Nesse mesmo diálogo sonoro, mas com uma leve atmosfera de carnaval pernambucano, "O Girassol da Caverna" vem na sequência, com dueto delicioso de Elba e Ney Matogrosso. A canção é de Lula Queiroga, e foi gravada no disco Baque Solto, de Lula e Lenine, na década de 1980. No repertório, "O Girassol da Caverna" é seguida de outra regravação, "Girassol", canção que ficou famosa na interpretação de Toni Garrido à frente do Cidade Negra. Aqui o sucesso recebe nova roupagem, com introdução de cordas, e depois transitando entre o reggae e o xote. "Fiz muitos encontros com o Cidade Negra. Sou amiga do Toni. O barato e o prazer de ser intérprete é essa possibilidade de trazer o (Arthur) Verocai, que veio com esse arranjão de cordas, e a levada do Yuri foi pensando na minha alegria, no palco."
Mais adiante, há outra aproximação interessante no roteiro do disco, entre a canção "José", de Siba (do Mestre Ambrósio) e "O Fole Roncou", de Luiz Gonzaga e Nelson Valença, como representações de duas gerações da música nordestina. Da mesma forma que é reverencial ao mestre Gonzagão, no álbum, Elba também recupera um lado B da obra de Belchior, ao cantar "Princesa do Meu Lugar". O "Ouro do Pó da Estrada" traz pérolas organizadas por Elba e parceiros. (E.C.)