A seleção brasileira de futebol de amputados viajou ontem para Guadalajara, no México, em busca do pentacampeonato mundial. O time está preparado técnica e taticamente, de acordo com o fisioterapeuta do elenco, o suzanense Quintiliano Luiz Bernardes. A delegação vêm se preparando desde a Copa da América, no México, em 2015, quando foi campeã, até a Copa das Confederações na Colômbia, ocasião em que também conquistou o título. "Estamos trabalhando em todas as competições, mas sem perder o foco no Mundial", garantiu.
O time, que possui quatro conquistas mundiais, conta com a preparação física de Bernardes desde 2014, além dos trabalhos do fisioterapeuta Willian Maia e da psicóloga Juliana Jacques. O fisioterapeuta Quin, como é conhecido em Suzano, começou a trabalhar no esporte em 2011 com o time de futebol de sete, formado por meninos com sequelas de paralisia cerebral. Junto com o elenco, ele conquistou o primeiro título como fisioterapeuta na divisão de acesso do campeonato brasileiro em 2012.
No ano seguinte, o time de sete foi vice-campeão do torneio Rio-São Paulo e também do Brasileiro. Bernardes conciliava sua atividade na comissão técnica com a vida clínica. "Trabalhei entre 2012 e 2014 em uma clínica onde atendia vários pacientes ao mesmo tempo. Isso me incomodava, pois não conseguia dar atenção suficiente para o paciente", relembrou.
Ele saiu da clínica e deixou o trabalho de fisioterapia no esporte para abrir um consultório próprio, que o possibilitou dar uma atenção maior para a recuperação dos pacientes. No entanto, o esporte voltou à vida de Quin no final de 2014. Ele conheceu Rene Quintas, técnico da equipe de amputados, que o apresentou ao craque da modalidade, Rogerinho. "Comecei a trabalhar para os três times da modalidade: Corinthians Mogi, Instituto Só Vida e seleção brasileira", contou.
Nesta época, Bernardes também teve a oportunidade de fazer um intercâmbio no Chile, em 2015, com a seleção local de paralisia cerebral masculina de futebol de sete paralímpico. "Foram oito dias participando da preparação dos atletas e comissão técnica", citou. "Por ser um time novo, eles queriam uma troca de experiência com profissionais brasileiros", prosseguiu.
Esta é a primeira viagem dele com a seleção brasileira para um Mundial. Ele contou que a expectativa é de ficar entre os quatro melhores, uma vez que o país não recebe muito apoio financeiro. "Temos que trabalhar em outros empregos e nossos treinos são menores. Queremos ficar entre os melhores, mas o coração quer o título. Sentimos que esse ano pode ser nosso novamente, baseado na boa equipe técnica e atlética", afirmou.
A expectativa é de que a modalidade se torne paralímpica um dia e, para isso, a seleção precisa de apoio e visibilidade. "Gostaria de ressaltar o esforço que os meninos fazem para treinar e para estarem participando dos campeonatos e o quanto a modalidade vem crescendo", avaliou. "Queremos ajudar outros atletas que passam pela amputação. Para eles, o esporte é a vida e ela acaba quando não podem mais jogar", concluiu.
Bernardes apontou que a modalidade de amputados evoluiu, tornando-se de alto rendimento. Porém, nunca deixou de cumprir com o objetivo principal do esporte: o resgate social do ser humano.
* Texto supervisionado pelo editor.