A cada ano que se inicia, os professores se preparam para receber novas turmas, e a elas oferecer um ensino significativo, respeitando suas diferenças, dificuldades e limitações. Com o ingresso de alunos especiais nas escolas regulares, muitos profissionais passaram a ter um novo desafio, o de integrar crianças e adolescentes que possuem déficit de aprendizagem de forma inclusiva, democrática, solidária e colaborativa no processo educativo. Muitos profissionais apontam o receio de não ser apto o suficiente para orientar esses estudantes, cujos problemas são diferenciados, e cabe, portanto, ao educador se aperfeiçoar para melhor atendê-los.
A professora Amanda Cirilo, que leciona para uma turma do 3º ano da Escola Municipal Lourdes Maria do Prado Aguiar, de Mogi das Cruzes, sentiu esta necessidade quando as suas turmas passaram a receber alunos especiais. Ela conta que cada um exige cuidados, didáticas e atenção diferenciadas, pois são diversas as deficiências. "Eu comecei a buscar atualização, porque, infelizmente, o que aprendemos em nossa formação não é suficiente. Cada deficiência exige um trabalho, portanto, passei a fazer cursos de extensão e especializações voltadas à educação especial. Em minha sala de aula, tenho uma aluna autista, e não possuo cuidadora. Então, é desafiador organizar o tempo para atender todos os alunos, e, principalmente, quem mais precisa da minha ajuda. Sinto falta de orientações da rede de ensino para que possamos estar mais preparadas às diversas situações".
A educadora explica que a aluna participa de todas as atividades, no entanto, seus exercícios são apropriados ao seu nível de aprendizado, com foco no seu desenvolvimento. Eles precisam ser ilustrativos, e os jogos e as brincadeiras oferecem as melhores propostas. "Atuo com uma turma que já está finalizando o processo de alfabetização, então, fiquei preocupada em como trabalhar com essa aluna, sabendo que não posso cobrar dela o mesmo rendimento dos demais. A dúvida maior era com relação ao tipo de atividade desenvolver para que ela aprenda e evolua. Então, comecei a pesquisar outras propostas", explicou.
Apesar das dificuldades, todos os estudantes possuem potencialidades, e é por meio delas que o aprendizado é incentivado. É necessário mostrar a esses alunos que eles podem aprender as diferentes áreas do conhecimento, e, ainda, se socializar e se sentir integrados. Amanda explica que os resultados aparecem a longo prazo, mas cada evolução é uma vitória. "Minha aluna participa das atividades, identifica o alfabeto, as letras finais e iniciais das palavras, e realiza somas com pequenos numeros", celebra.