O amor pela profissão e o sentimento de realização por contribuir para a evolução constante de alunos que precisam superar os empecilhos que dificultam o processo de aprendizagem enobrece o trabalho daqueles que se dedicam à educação especial. Com o aumento de estudantes deficientes nas escolas regulares, cresceu a demanda por profissionais especializados, e aptos a orientar não só o público estudantil, como também educadores e gestores das unidades de ensino, para que se sintam preparados para acolher aqueles que necessitam de mais atenção durante a aquisição de conhecimentos.
A professora Andreia Cristina Nascimento de Lima é uma dessas profissionais que nutrem um carinho pelos alunos que chegam às suas mãos. Ela é especialista em Educação Especial, com habilidade em Deficiência Intelectual e Transtorno do Espectro Autista (TEA), e leciona há 18 anos. Já passou pela Apae e escolas especializadas, e, atualmente, é professora da rede estadual, e atua na sala de recursos da Escola Estadual Narciso Yague Guimaraes, de Mogi das Cruzes. Ela atende estudantes do 6º ano do Ensino Fundamental II ao 3º ano do Ensino Médio, que, ao receberem o laudo médico com a idenficação de alguma deficiência, são direcionados a um atendimento especializado, que é realizado duas vezes por semana no contraturno, ou seja, no período extraescolar. "Trabalho com grupos de estudos, eu divido os alunos conforme o grau de dificuldade, e, com atividades personalizadas, exploramos as necessidades que eles apresentam em sala de aula. O material didático é alternativo, adaptado de acordo com a realidade de cada um. Muitos não são alfabetizados, e temos de adaptar os exercícios conforme o currículo e o que está sendo transmitido no ensino regular.Todos têm o direito de aprender, e o nosso objetivo é ajudar na evolução daqueles que precisam de um acompanhamento contínuo", explica.
A educadora especialista busca estratégias para que todos aprendam conforme o seu ritmo, o objetivo é garantir a autonomia do aluno, elevar sua autoestima e destacar seus potenciais. Ela destaca a importância da parceria entre o professor da sala regular com a da educação especial, assim como o apoio da gestão escolar, da rede de ensino, e, principalmente, da família dos educandos, que também precisam ser orientados a como ajudar o seus filhos. "Procuro dar atenção aos familiares, para que aceitem as dificuldades dos filhos, e saibam como ajudá-los. Além de reuniões, tenho grupos de WhatsApp com os pais, para que eu possa responder às dúvidas sempre que necessário" revela.
Atualmente, todas as escolas da rede estadual possuem uma sala de recursos, e há outros direitos aos incluídos na educação especial. "Hoje, adquirimos várias conquistas para esses alunos. Temos, por exemplo, a possibilidade de uma cuidadora ou assistente na sala de aula. Quando necessário, possuímos o intérprete de Libras, e, também, o direito a uma liminar que garante ao aluno autista um acompanhante. Há, ainda, o Atendimento Educacional Especializado (AEE), que atua com as dificuldades dos estudantes. Além disso, todos os profissionais são qualificados, e com atualização constante. Precisamos nos atualizar", enfatiza.