O coronel da Polícia Militar (PM) Rodrigo de Oliveira Carneiro, que assumiu no início deste mês o Comando de Policiamento de Área Metropolitana Doze (CPA/M-12), afirmou que dará continuidade ao trabalho desenvolvido pela gestão anterior. A comandante era coronel Beatriz de Assis Bastos Morassi, que deixou o cargo após um ano para assumir a Diretoria de Tecnologia da Informação da corporação.
O trabalho, segundo o coronel, terá como foco o policiamento orientado por indicadores criminais e em ações personalizadas conforme o perfil de cada cidade atendida, que inclui Mogi das Cruzes, Suzano, Itaquaquecetuba, Poá, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Biritiba Mirim e Salesópolis.
Natural de São João da Boa Vista, no interior do Estado, o oficial de 51 anos, afirmou em entrevista ao Grupo Mogi News que pretende aplicar, nesta que é sua primeira experiência na região, os conhecimentos acumulados ao longo da carreira. Ele atuou em grandes centros da capital e pelo 24º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM/I), responsável por 16 municípios.
“No primeiro momento, eu respeito o legado deixado aqui pela coronel Beatriz. Então, vamos procurar consolidar esse trabalho de forma presente e técnica, principalmente integrada à atividade-fim da instituição, que é a atividade operacional. Trabalharemos com base nos indicadores de gestão, na diminuição dos índices criminais e, principalmente, na valorização do policial militar”, resume.
Para os próximos meses, o coronel afirmou que pretende ampliar a presença institucional nas cidades sob responsabilidade do CPA/M-12, com algumas reuniões já marcadas nos municípios atendidos. “Pretendo conhecer e estabelecer parcerias para que a gente consiga manter e até melhorar a prestação de serviço de polícia ostensiva da região”, disse.
O comandante reforçou que a região reúne cidades com perfis bastante distintos: “Temos os municípios onde a força pujante é o turismo, por exemplo Guararema e Salesópolis, e municípios densamente povoados, como Ferraz Vasconcelos e Itaquaquecetuba, que possuem características de grandes centros, sem mencionar Mogi que é um município com quase meio milhão de habitantes”.
Segundo ele, a estratégia, assim como já vinha sendo feito, será manter o policiamento direcionado conforme as características locais: “Dentro das nossas matrizes de policiamento, vamos direcionar as forças existentes para atuar onde os índices criminais estejam demandando mais necessidade.”
Efetivo
Outro foco do trabalho no CPA/M-12, de acordo com o coronel, será a valorização dos policiais, e destacou ainda que o déficit de efetivo policial não é exclusivo da região, mas um problema estrutural da instituição. “Isso não impede em nenhum momento de agir com qualquer estratégia, reorganizar o policiamento com base na análise criminal e redistribuir inteligentemente os recursos que nós temos. Não impede que o comandante regional trave um diálogo positivo com o comando da instituição para que num futuro próximo. Nós possamos ser contemplados com policiais militares”, disse. A expectativa é para reforços no efetivo ainda no primeiro semestre de 2026.
Carneiro indicou que não vê, neste momento, necessidade de implantação de um Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep), na região, defendida recentemente por prefeitos. “Hoje o comando regional exercido por mim pretende empregar de forma mais qualificada a Caep (Companhia de Ações Especiais de Polícia, já existente em Suzano), fortalecer a capacidade de apoio em ocorrências de maior gravidade aqui e não a criação de um Baep”, afirmou, destacando que a decisão também passa por autoridades superiores, como o governador Tarcísio de Freitas.
O coronel ressaltou que a prioridade será pela estratégia: “Se você cria demandas administrativas, a tendência é você tirar o policial militar da rua, o que não é de interesse, seja do Comando Geral, seja hoje do comando regional do CPA/M-12. Tudo indica que a demanda mais inteligente hoje é o fortalecimento e a reorganização do Caep, como já estava sendo feito pela Beatriz”.
Integração
Entre as frentes que pretende reforçar, o coronel destacou a Vizinhança Solidária e a atuação junto aos nove Conselhos Comunitários de Segurança (Consegs), atualmente ativos na região. “Eu vejo que as ações de Polícia Militar devidamente coordenadas já começam com o diálogo”, afirmou. Ele também deve manter as ações sociais, como as arrecadações de brinquedos em períodos como o Natal.
A integração entre as forças de segurança também foi apontada como pilar da gestão. O coronel afirmou que pretende manter e ampliar o trabalho conjunto com Guardas Municipais, Polícia Civil, Poder Judiciário e Ministério Público.
Carnaval e eventos
Nos primeiros dias no cargo, o comandante fez um diagnóstico inicial do período de Carnaval e considerou que a atuação da corporação atingiu o objetivo de prevenção. “Foi um período relativamente tranquilo, com poucas ocorrências em termos patrimoniais”, afirmou. Ele também ressaltou resultados operacionais, com destaque para vários flagrantes, principalmente referentes ao tráfico de drogas.
O coronel destacou que eventos importantes deste ano já são levados em consideração, mas não devem provocar grandes mudanças. Sobre as eleições, previstas para outubro, ele afirmou que haverá mobilização total do efetivo, e em relação à Copa do Mundo, que ocorre entre junho e julho no Canadá, México e Estados Unidos, o comandante afirmou que o evento já está no radar operacional.
“É um evento esportivo, mas de paixão nacional. Algumas partidas, por conta de fusos horários, serão realizadas à noite, então nós já temos esse mapeamento de toda a estrutura que vai ser e a aplicação do policiamento vai ser voltada com isso. Mesmo sendo um ano atípico, o planejamento é voltado para esses grandes eventos”, acrescentou.
Perfil
Carneiro ingressou na Polícia Militar em 1995 e se formou na Academia do Barro Branco em dezembro de 1998. Após a formação, atuou principalmente na Zona Leste da capital paulista, sempre em funções operacionais.
Ao longo da carreira, buscou formação tanto na área operacional quanto na administrativa, com cursos na força tática, negociação de crise com reféns, polícia judiciária militar, gestão contemporânea pela qualidade e administrador de recursos humanos, além do mestrado e doutorado em ciências policiais de segurança e ordem pública.
Agora à frente do CPA/M-12, ele destacou: “Um policial militar, antes de mais nada, busca uma parceria com a comunidade, estabelecendo um vínculo de confiança. A mensagem é de que a população confie na atuação da Polícia Militar, porque, acima de tudo, nós estamos aqui tanto para servir quanto para proteger, além de aplicar a lei.”