Na rede estadual de ensino há pouco para se comemorar neste Dia dos Professores. Segundo os docentes entrevistados pelo Grupo Mogi News, a pandemia de coronavírus (Covid-19) dificultou ainda mais a vida dos professores. Os profissionais tiveram que improvisar para ensinar e sem recursos e suporte, poucos conseguiram se adaptar. 
Dando voz a parte das demandas, a professora Inês Paz, que leciona há 40 anos no sistema público, contou que a pandemia expôs ainda mais a desigualdade social dentro do sistema educacional. "Temos professores que estão fazendo bicos para sobreviver e alunos com fome porque dependiam da merenda escolar que ainda não está sendo entregue para todos", denunciou. 
Quanto ao tão falado fim da lousa e giz, a professora aponta que essa "Nova Era" da educação não será para todo mundo se não houver investimento e interesse. "Sem investimentos nos profissionais para que consigam se adaptar ao novo formato, assim como meios para a tecnologia chegar até a casa dos alunos, a maioria permanecerá excluída", reclamou. 
Com dez anos de experiência na rede estadual e sistema privado, o professor de História e Filosofia, Gustavo Cardoso Rodrigues, pôde acompanhar de perto as desigualdades entre os dois sistemas. "A grande diferença entre as duas redes está diretamente ligada aos investimentos discrepantes que cada uma recebe. Além disso, as famílias da rede particular dispõe de condições melhores para acompanhar o ensino de seus filhos e isso faz toda a diferença", apontou.
De acordo com Rodrigues, nas escolas particulares os professores receberam todo o suporte possível para se adaptar enquanto na rede estadual tiveram que "trocar o pneu do carro andando". 
Para ambos, o ano letivo não foi perdido devido aos esforços dos professores e alunos mesmo em meio ao descaso. Ainda assim, recuperações devem ser estimuladas no próximo ano para suprir qualquer defasagem. (L.K.)