Considerada por muitos a maior quarentena decretada na história recente, o período de isolamento social por conta do novo coronavírus (Covid-19), que completa um mês hoje, é marcado por aspectos positivos e, em maior proporção,  negativos. Principalmente econômicos.
Com a paralisação de boa parte da economia, ruas ficaram mais vazias de pedestres e carros, e houve a redução de transportes públicos em circulação. O resultado dessa rápida e intensa mudança de comportamento foi uma significativa melhora da qualidade do ar em muitas cidades ao redor do mundo. De acordo com a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), todas as regiões monitoradas registraram qualidade do ar boa para poluentes primários, aqueles emitidos diretamente das fontes poluidoras. Assim também ocorreu no Reino Unido, onde imagens da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) mostraram redução de 60% nos níveis de dióxido de nitrogênio (NO2) liberados pelos escapamentos de automóveis e por usinas termoelétricas.
Mas a quarentena também apresentou reflexos negativos para a sociedade. Além do desemprego em massa, que começa, aos poucos, a dar sinais claros que será uma realidade em breve, o número de casos de violência contra a mulher aumentou significativamente. A quantidade de feminicídios subiu 46,2% no Estado de São Paulo durante o período de pandemia, de 13 para 19 casos, segundo informou o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Além disso, a entidade revela que a Polícia Militar atendeu 44,9% mais casos de mulheres vítimas de violência em suas casas.
Retorno
Agora, o termo é "flexibilização". Na última quarta-feira, o governador João Doria (PSDB) afirmou que um grupo técnico analisará individualmente a solicitação das categorias produtivas para decidir como será realizado o retorno gradual da economia. (F.A.)