O policial militar e o empresário de Suzano, supostamente envolvidos na tentativa de homicídio à transexual de 24 anos, no sábado de Carnaval, foram indiciados pela Polícia Civil, que também pediu a prisão da dupla de agressores. A agressão ocorreu na rua Benedito Faria Marques Filho, no Parque Maria Helena.
O inquérito dava conta, inicialmente, de lesão corporal grave e discriminação, entretanto, ao passo que as diligências realizadas pela Delegacia Seccional de Mogi das Cruzes avançaram, a natureza do crime foi alterada para tentativa de homicídio qualificado. O inquérito foi instalado apenas na semana passada, oito dias após o crime, principalmente devido à repercussão que o caso na região e em todo o Estado de São Paulo.
O caso
A vítima relatou à Polícia Civil e à Imprensa que estava à caminho de um supermercado nas proximidades de onde mora, por volta das 15 horas do sábado, quando foi hostilizada pelos agressores com xingamentos preconceituosos. Apesar de ignorar as provocações, na volta do estabelecimento, a vítima os encontrou novamente e, após mais xingamentos, resolveu por tirar satisfação sobre as ofensas. Neste momento começaram as agressões. Um dos agressores utilizou de um pedaço de madeira para atingir a transexual.
As imagens que repercutiram nas redes sociais de fato chamam atenção pela violência dos criminosos. No chão e sendo segurada, a vítima continuou sendo agredida até que a dupla abandonasse o local.
Dias depois ela disse que os agressores bateram nela "até cansar" e que, apesar do movimento da rua, ninguém se prontificou em ajudá-la. "Graças a Deus eu estou viva", disse à Imprensa, afirmando ainda que a devido à grande repercussão ela levaria o caso adiante, fato que se concretizou com a abertura do boletim de ocorrência. (F.A.)