A Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), responsável pelos coletivos que circulam entre Arujá e Mogi das Cruzes, confirmou que o custo do pedágio será acrescido nos valores das passagens de ônibus, caso a proposta de concessão da via, sugerida pela Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), prospere. Com isso, passageiros que circulam entre as cidades, a trabalho, passeio ou para estudar, por exemplo, pagarão mais caro nas passagens. A previsão é de que a praça de pedágio seja instalada no km 45 da rodovia Mogi-Dutra (SP-88), o que vem causando revolta nas autoridades e população.
"O cálculo é feito pela divisão do valor pago na praça de pedágio pelo número médio de passageiros por viagem", disse a EMTU, em nota, ressaltando ainda que o objetivo de tal medida é ressarcir as empresas concessionárias e permissionárias da despesa.
Além do aumento previsto após a instalação do posto de cobrança, quando a tarifa dos pedágios for alterada, o valor das passagens tende a acompanhar as mudanças, assim como aconteceu em julho deste ano, quando a EMTU subiu de R$ 0,05 a R$ 0,15 em 54 linhas intermunicipais que circulam, entre outras regiões na Grande São Paulo, com a prerrogativa de equiparar os valores reajustados nos pedágios.
Os reflexos da praça de pedágio não se limitam apenas aos passageiros de ônibus, atingindo também o transporte de mercadorias. O dono da transportadora que possui sede em Arujá, São Paulo e Jacareí, HR Transportes, o empresário Hebert Rachid, disse que o valor do pedágio fará parte da composição de preços do frete. "O impacto seria apenas o acréscimo do valor do pedágio, afetando o cliente, produtor ou consumidor", disse Rachid, acrescentando que todos os produtos receberão carga tributária correspondente ao posto de cobrança.
Câmara contra
Assim como o Executivo mogiano protocolou um ofício repudiando a instalação de uma praça de pedágio na rodovia Mogi-Dutra (SP-88), a Câmara Municipal também se manifestou no mesmo sentido e oficializou o documento junto à Agência de Transporte de Estado São Paulo (Artesp).
De acordo com o presidente interino da Casa, Otto Rezende (PSD), o documento foi protocolado em nome do Legislativo mogiano, que ainda conta com a articulação do deputado estadual Estevam Galvão (DEM) para agendar uma audiência junto ao governador João Dória (PSDB) para tratar do tema, com o intuito de incentivar o psdebista a desistir da ideia de implantar um pedágio na rodovia.
Na solicitação encaminhada ao deputado Galvão, o Legislativo mogiano afirma não poder aceitar que técnicos da Artesp e do governo, que não têm nenhum compromisso com a cidade, simplesmente apresentem em seus projetos a implantação de um pedágio. "Em decorrência dessa grave situação, estamos empenhados em dar voz à população e nos posicionarmos contra a instalação de um pedágio na Mogi-Dutra", afirmou Rezende, no documento.