Entre vaias e aplausos, o ala norte-americano e ídolo no Mogi Basquete, Shamell Stallworth, voltou a jogar no ginásio Professor Hugo Ramos, no Mogilar, mas, desta vez, não mais defendendo as cores mogianas, e sim a camisa tricolor do São Paulo, time que defenderá nesta temporada. 
No último sábado, no ginásio Hugo Ramos, o sentimento dividido da torcida mogiana foi a máxima do espetáculo. Enquanto uns tentavam desconcentrar o atleta (até com gritos de "mercenário"), outros preferiram homenagear o jogador por sua brilhante história na equipe mogiana, e optavam pelos aplausos. Antes da bola subir, o ala cumprimentou seu antigo técnico, Jorge Guerra, o Guerrinha, com um forte abraço, bem como toda a comissão técnica mogiana. Mas, quando seu nome foi anunciado no ginásio, ficou difícil distinguir o sentimento comum do torcedor, já que o local foi tomado por comemoração e xingamentos.
Já torcida do São Paulo, que compareceu em grande número no ginásio, apesar da fria noite do último sábado, está em lua-de-mel com o recém camisa 8 contratado, tanto que o grito que ecoou pelo ginásio era claro: "Uh ê ô, o Shamell é Tricolor", em tom de provocação aos mogianos. Impossível não sentir o baque, principalmente por se tratar do maior pontuador da história do Novo Basquete Brasil (NBB), disputado desde 2008.
Ao subir da bola, em cada lance que o ala participava das jogadas, uma sonora vaia era ouvida, que durou pouco, já que logo em um dos primeiros lances da partida, Shamell anotou três pontos, amenizando os ânimos.
Por um ponto, Shamell não foi o cestinha do São Paulo. Ao longo dos quatro quartos, Shamell anotou 19 pontos, sendo que das oito bolas que chutou de três pontos, converteu cinco, com aproveitamento de 62,5%, além de quatro rebotes.
Ao final da partida, Shamell falou com exclusividade à reportagem e disse que tem saudade do tempo em que jogou em Mogi. "Sempre dará saudade, fiz uma história bem bacana aqui. Foi meio a meio a reação da torcida, mas sou profissional e sabia que tinha que fazer meu trabalho e representar o São Paulo", destacou o ala.
O fiel torcedor do Mogi Basquete, que estava no ginásio acompanhando a partida do último sábado, Guilherme Fragoso, disse que o sentimento é de tristeza em ver Shamell atuando por outra equipe. "Ele foi nosso principal jogador por muitos anos, aquele que resolvia para o jogo para o Mogi e hoje não temos mais este cara no elenco. É triste porque todos sabem da qualidade do Shamell e da liderança que ele tem em quadra", disse Fragoso. "Dá saudade em ver ele em outro clube, Shamell é um ídolo para nós", completou.
No final da partida, vitória para o Mogi Basquete por 86 a 73, na segunda rodada do Campeonato Paulista.
*Texto supervisionado pelo editor.