A greve geral contra a reforma da Previdência, convocada pelas centrais sindicais, teve atos registrados em praticamente todos os Estados. Mas, sem a adesão maciça dos trabalhadores dos setores de transporte, os efeitos acabaram sendo localizados.
Na avaliação do cientista político Rafael Cortez, a greve é um movimento relevante como termômetro do poder de mobilização da oposição, mas não deve ter nenhum efeito prático em relação à votação da reforma da Previdência. "A greve é relevante, mas não trouxe algo de diferente do que já estava contabilizado tanto para a imagem do governo quanto no cálculo de custo/benefício que os legisladores fazem (ao votar contra ou a favor de algum projeto)", disse. Por isso, afirmou, não deve significar algum impeditivo para o prosseguimento da agenda econômica do governo.
Para o cientista político e professor da USP Alcindo Gonçalves, a greve geral foi "bastante parcial, localizada e, de certo ponto, inoportuna", por ocorrer no dia seguinte à apresentação do parecer do relator da reforma da Previdência na Câmara, Samuel Moreira (PSDB-SP), que contempla "uma série de desejos da oposição e das centrais sindicais".
As centrais sindicais, porém, avaliaram que a greve geral foi um sucesso. Para o presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Pattah, o movimento demonstrou a união das centrais sindicais, em um momento em que o país conta com milhões de desempregados e desalentados.