A greve geral contra a reforma da Previdência,teve atos registrados em praticamente todos os Estados. Mas, sem a adesão maciça dos trabalhadores dos setores de transporte, os efeitos acabaram sendo localizados.
Na avaliação do cientista político Rafael Cortez, a greve é um movimento relevante como termômetro de mobilização da oposição, mas não deve ter nenhum efeito prático em relação à votação da reforma. "A greve é relevante, mas não trouxe algo de diferente do que já estava contabilizado tanto para a imagem do governo quanto no cálculo de custo/benefício que os legisladores fazem (ao votar contra ou a favor de algum projeto)", disse.
Para o cientista político e professor da USP Alcindo Gonçalves, a greve foi "bastante parcial, localizada e, de certo ponto, inoportuna", por ocorrer no dia seguinte à apresentação do parecer do relator da reforma da Previdência na câmara, Samuel Moreira (PSDB-SP), que contempla "uma série de desejos da oposição e das centrais sindicais". Para Gonçalves, é "discutível" a decisão de manter a greve durante às negociação.
As centrais sindicais, porém, avaliaram que a greve geral foi um sucesso. Para o presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Pattah, o movimento demonstrou a união em um momento em que o país conta com milhões de desempregados e desalentados. "Queríamos colocar as demandas de busca de geração de emprego e crescimento econômico." Já o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, avisou que será feita uma manifestação ainda maior "se o governo não desistir dessa proposta injusta para a Previdência".
Em São Paulo, foram realizados protestos em pontos localizados. O movimento Frente Povo sem Medo fez interrupções, por períodos curtos de tempo, em diversas rodovias e ruas, entre elas a rodovia Hélio Smidt (SP-19), que dá acesso ao aeroporto de Guarulhos, a Imigrantes (SP-160), em Diadema, e o acesso ao Elevado João Goulart, na capital. Houve paralisação nos bancos e, segundo o Sindicato dos Professores da Rede Particular de São Paulo (Sinpro-SP), 53 escolas da capital paulista foram afetadas, de forma parcial ou total. Em todo o Estado, 14 pessoas foram detidas pela Polícia Militar.