A presença de Beatriz Regueiro Rocha Martins compondo o grupo de festeiros na organização da Festa de Santo Ângelo, que ocorreu no sábado e domingo últimos no distrito de Jundiapeba, comprova a essência da celebração. Aos 26 anos de idade, ela faz parte da quarta geração da família Regueiro envolvida com a festividade e garante que vai passar a tradição para os filhos. Na prática, a 281ª edição teve como festeiros o casal João e Ana Maria Regueiro. In memoriam, eles foram representados pelos filhos Angela, Aparecida e Claudinei e pelas netas Bruna e Beatriz. "É uma festa diferenciada. Tem a característica familiar, de gerações, dos devotos da comunidade", explicou Aparecida Regueiro, 55 anos. Fundada em 1738, a capela de Santo Ângelo, uma das mais antigas da região, foi construída em homenagem ao chamado santo "da última hora", aquele que atende os pedidos nos momentos de maior dificuldade. Muitos dos devotos presentes na festa, que neste ano contou com 5 mil pessoas, estiveram ali para agradecer uma bênção. É o caso de Angela, mãe de Beatriz. Ele conta que teve uma doença rara na infância e só foi curada pela devoção da mãe ao santo.
Também devota, Maria Borges lembra que, aos 5 anos, já participava da festa ajudando a enfeitar o andor. Hoje, aos 76 anos, está há 30 como responsável pela cozinha que prepara o tradicional afogado servido gratuitamente à comunidade no domingo. Neste ano, foram servidas 3 mil refeições do prato, um preparado de arroz, feijão, ensopado de carne e farinha de mandioca. "Foram 700 quilos de carne", calcula Maria, que coordena uma equipe de 20 cozinheiros e mais 40 voluntários ajudando a servir, limpar e lavar a louça.
A festa de Santo Angelo, organizada pela congregação carmelita, ao lado das festas do Divino e do São Benedito, faz parte do calendário cultural da cidade. Porém, ela é realizada em uma comunidade distante e ainda mantém a tradição da participação popular. O agricultor Adriano Lázaro do Nascimento, 40, de Biritiba Ussu, é um dos ajudantes na preparação do afogado, sua tarefa neste ano foi na limpeza e corte da carne. "Ajudo na festa há 20 anos, desde que fui convidado pelo meu padrinho Braz, que trabalhou aqui por mais de 60 anos", recordou.
Com o mesmo sentimento, o casal Diego Oliveira Borges e Marcella levaram o filho Marcello, de apenas três meses, vestido de anjo, para seguir a procissão antes da missa que encerra a festividade. Eles são moradores da comunidade e sempre acompanharam a família na celebração. "Quando eu era pequena, minha mãe me trazia vestida de anjo e hoje faço isso com meu filho", resumiu Marcella.