Em uma era na qual as novas tecnologias substituíram as técnicas do passado, o fundamental é estar qualificado, saber trabalhar em equipe e ter criatividade juntamente com a flexibilidade. Esse perfil de trabalhador foi definido pelo diretor do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) Alto Tietê, José Francisco Caseiro, à reportagem do Grupo Mogi News de Comunicação. Hoje, quando é celebrado o Dia da Indústria, ainda há muito no que avançar. Para se ter uma ideia, o auge industrial do Alto Tietê ocorreu em 2011, quando o setor empregava cerca de 80 mil trabalhadores. Dados do Ciesp revelam que, apenas em 2026, as indústrias retomarão o mesmo cenário. Atualmente, há 1,8 mil indústrias em atividade na região, que empregam cerca de 70 mil trabalhadores.
Após o período de crescimento, em 2011, o setor industrial alavancou no número de demissões em 2012, cenário que caminhou até 2016. Nesse período, as indústrias acumularam o saldo negativo de 15 mil demissões. "Esse ciclo foi interrompido em 2017 e desde então foram retomados cerca de 5 mil postos de trabalho. A diversidade do parque industrial ajudou muito na recuperação do setor na região, permitindo um desempenho melhor do que outras regiões do Estado de São Paulo", explicou Caseiro. Anteontem, o governador João Doria (PSDB) anunciou a criação de 11 polos industriais em todo o Estado, sendo que o Alto Tietê receberá oito (veja mais abaixo). Os setores para a região são o automotivo; derivados de petróleo e petroquímico; metalúrgica; química; saúde e farmácia; bio-combustíveis; alimentos e bebidas e, por fim, têxtil, vestuários e acessórios.
O chamado "lapso temporal de 15 anos", de acordo com o diretor do Ciesp, pode ser mais vantajoso para algumas empresas, no entanto, menor para outros setores. "O emprego não necessariamente se recuperará neste mesmo tempo, pois não podemos esquecer que temos um processo de Indústria 4.0 em andamento", destacou. Apesar do cenário desanimador, a região fechou o ano passado com a abertura de 3 mil postos de trabalho, apresentando o melhor resultado nos últimos anos. Nesses primeiros cinco meses de 2019, o setor industrial do Alto Tietê não está na liderança, mas permanece entre os 15 melhores desempenhos estaduais.
Muito se fala da Indústria 4.0, expressão que remete às novas tecnologias para automação, troca de dados e sistemas. No entanto, é um caminho que ainda está sendo construído pelas empresas. O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) é um dos órgãos que oferecem essa aprendizagem da 4ª Revolução Industrial. Em maio do ano passado, o presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, à época pré-candidato ao governo do Estado, falou sobre o assunto. "A indústria e o Senai estão atentos a isso. O que precisamos é que esse movimento prolifere", justificou.
Para que o setor industrial invista na Indústria 4.0, Caseiro ressaltou que a Ciesp tem trabalhado no tema e que a tecnologia será incorporada gradativamente. Nesse sentido, ocorrerão mudanças bruscas no mercado de trabalho e os profissionais mais procurados estão nas áreas de computação, análise de dados, vendas e engenharia. "Ainda assim, estamos longe de recuperar todas as vagas perdidas ao longo desses anos, visto que a atividade do setor industrial está 16,3% abaixo do pico histórico atingido em maio de 2011. Isso significa que, a continuar no ritmo de 2018 e do primeiro trimestre deste ano, vai demorar próximo de oito anos para a indústria voltar ao patamar de oito anos atrás", concluiu o diretor.