A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, esteve ontem à tarde em Suzano, no Cineteatro Wilma Bentivegna, para lançar oficialmente o programa que visa a Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio. Além da visita, Damares explicou que o município será o primeiro do país a receber o programa, que tem como foco os estudantes de todas as instituições de ensino. Na semana que vem, as ações começarão a ser estabelecidas por meio de um organograma. O programa deve chegar a mais da metade dos municípios brasileiros até o final do ano, já que o objetivo, segundo a ministra, é treinar primeiramente os conselheiros tutelares para que saibam lidar com as situações de automutilação e suicídio.
De acordo com Damares, no Brasil, 20% dos jovens provocam a automutilação, o que representa cerca de 14 milhões de pessoas. "O que fizemos para essa geração estar em profundo sofrimento? Não adianta construir coisas extraordinárias se as crianças se sentem dessa forma. Vamos fazer um diagnóstico hoje, durante e depois dos resultados para saber como lidar com a situação", explicou. Inicialmente, será aplicado um curso para que os envolvidos nas ações saibam como falar do suicídio para que os professores, por exemplo, possam ter um contato melhor com os alunos que passam pelo problema.
O programa abordará o tema de forma "científica", como explicou a ministra. "Não vai ter oba-oba, vai ser um trabalho silencioso e sério na cidade para a prevenção e também focar em outras doenças. O suicídio é a segunda causa de morte entre os jovens e o Brasil está em oitavo lugar no ranking mundial de pessoas que cometem suicídio", destacou. No Congresso Nacional, Damares conseguiu aprovar uma lei, com o apoio de alguns deputados, que obriga a notificação da tentativa de suicídio, o que pode aumentar ainda mais o número de casos registrados.
Parceria
Os trabalhos durante o programa de prevenção também serão realizados em parceria do governo federal junto às universidades particulares. Para isso, estudantes do último ano de cursos de licenciatura de Psicologia, poderão atuar no trabalho preventivo. "Além disso, vamos capacitar agentes para que possam trabalhar na cidade com as pessoas realizando esse trabalho. O motivo para que um jovem cometa o suicídio ou a automutilação são variados, eles alegam dor na alma, tem a questão do abuso sexual, envolvimento com drogas. As crianças de hoje não estão sabendo lidar com seus conflitos", destacou.