O jovem de 17 anos, apreendido em 19 de março, acusado pela Polícia Civil e o Ministério Público de ser o mandante intelectual do atentado ocorrido em 13 de março na Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, no qual oito pessoas foram assassinadas, foi condenado ontem pela Justiça e seguirá internado em uma unidade da Fundação Casa por prazo indeterminado. O limite imposto pelo Estatuto da Criança e Adolescente (ECA) é de três anos, com a liberação aos 21 anos.
Mensagens trocadas entre o jovem apreendido e os atiradores, evidenciaram, para a juíza Erica Marcelina Cruz, da Vara da Infância e da Juventude, que o condenado teria participado na organização intelectual do crime. Entre os 11 celulares apreendidos no dia do ataque, um é do adolescente.
Além disso, os policiais que apreenderam o rapaz à época, encontraram na casa onde ele mora, desenhos com pessoas mortas e uma bota militar muito semelhante a que um dos criminosos utilizou no dia da ação.
Outros indícios ajudaram a Justiça a condenar o acusado como, por exemplo, um vídeo que mostra ele e um dos autores do atentado em um estande de tiros treinando disparos com arma de pressão, arco e flechas, apenas cinco dias antes do atentado. Segundo a polícia, o jovem condenado estudava na mesma sala de um dos atiradores, na escola Raul Brasil.
Fantasia
A defesa do menor disse que vai recorrer da decisão e que o jovem foi condenado "por ser quem é". "As provas dos autos deixam claro que ele não participou da organização do ataque e sequer sabia que o crime aconteceria", ressaltou Marcelo Feller, defensor do adolescente. A defesa trabalha com o fato de que as mensagens trocadas no dia do crime indicavam surpresa do jovem ao saber que o plano que ele "fantasiou" com um dos atiradores havia sido concretizado. "Quando um dos criminosos que cometeu a ação tira isso do campo da ideia e passa a executar, o meu cliente não sabe. Sim, ele fantasiou sobre entrar na escola e matar pessoas, mas isso foi em 2015, quatro anos antes", concluiu o advogado.
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