A Corregedoria Geral da Fundação Casa informou que os nove funcionários envolvidos em agressões aos internos das duas unidades da instituição instaladas em Ferraz de Vasconcelos - que foram transferidos para outras cidades de São Paulo devido a uma contaminação ambiental na região - estão afastados.
O órgão está investigando a possível irregularidade na conduta dos servidores, cujas atitudes com os jovens foram denunciadas pelos familiares dos internos. A transferência dos menores ocorreu após a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) constatar que havia contaminação pelo gás metano no solo das duas instituições. Por enquanto não foi divulgado nenhum detalhe ou resultado das investigações, que estão sendo feitas sob sigilo.
Conforme o Grupo Mogi News publicou no mês anterior, os menores foram separados em diferentes unidades de São Paulo. Segundo denúncias de algumas mães, eles sofreram agressões por parte dos funcionários dos locais onde foram recebidos. No dia 26 de abril, familiares dos internos se concentraram em frente ao Fórum de Suzano com cartazes para protestar contra a violência aos filhos.
A encarregada de obras e mãe de um dos internos, Flávia Cristina da Silva, de 39 anos, disse que os protestos e a divulgação feita pela imprensa ajudaram a reverter a situação. "Eu soube que os funcionários já foram afastados. O meu filho não sofre mais agressões e até o momento está tudo bem", afirmou. Ainda de acordo com a Flávia, o filho sofreu maus-tratos físicos e foi forçado a passar por situações desumanas.
A reportagem entrou em contato com o Sindicato de Socioeducação de São Paulo para saber o posicionamento sobre a situação e identificar possíveis ações da instituição, mas não obteve respostas até o fechamento desta edição.
Transferência
Nos dias 15 e 16 de abril, a fundação transferiu 103 internos das duas unidades de Ferraz de Vasconcelos em razão da contaminação do solo. A escolta de policiais militares e integrantes do Batalhão do Choque ajudaram na movimentação dos adolescentes. A Fundação Casa afirmou que a Cetesb realizará um estudo complementar sobre as unidades que foram esvaziadas, com análise sobre a situação da área. Após esse laudo, a instituição conseguirá avaliar o que será feito com os centros socioeducativos.
*Texto supervisionado pelo editor.