A minuta da revisão do Plano Diretor divulgada pela prefeitura de Mogi das Cruzes na segunda-feira passada apresentou diversos tópicos a respeito de mudanças urbanas na cidade de Mogi das Cruzes. No entanto, o ponto que chamou mais a atenção no estudo é a proposta de criação de um corredor de preservação ambiental, interligando a Serra do Itapeti aos fragmentos da Serra do Mar.
O projeto é de que exista um corredor ligando o norte ao sul do município, favorecendo o deslocamento de animais, a distribuição de sementes e a manutenção ou aumento da cobertura vegetal. Essas faixas de vegetação permitem que animais possam passar de um fragmento florestal para o outro, conciliando a conservação da biodiversidade e o desenvolvimento ambiental na região, por meio de um caminho que possui condições específicas de aproveitamento do solo para seu território.
De acordo com a professora de Ciências Biológicas da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), Maria Santina de Castro Morini, o corredor será fundamental para garantir a diversidade da fauna e flora. "O corredor é algo inovador, pois, com isso, o município só tende a ganhar em qualidade e boa diversidade'', justificou.
Para Maria, a proposta é uma ótima oportunidade de estender a biodiversidade do município, sem atrapalhar diretamente o crescimento urbano de Mogi e nem a população.
O professor de Políticas Públicas da UMC, Ricardo Sartorello, explicou que o corredor se trata de um mecanismo que garante uma conexão já existente entre uma área de floresta e uma área de grandes mananciais, mantendo os benefícios de cada uma delas.
"A Serra do Itapeti acabou de se transformar em uma Área de Proteção Ambiental (APA), que pega uma boa parte do norte do município. Já na parte sul, existe a Área de Proteção aos Mananciais (APM), então, o que está sendo proposto é que entre as faixas exista um pequeno corredor, na zona leste do município, ligando as duas áreas'', analisou o professor.
O corredor que liga os dois espaços parte do Parque Natural Municipal Francisco Affonso de Mello, cortando as regiões de Sabaúna, Cocuera, Vila Moraes, Pindorama, Quatinga, Barroso e Taiaçupeba, e chegando até o início da Serra do Mar, no litoral sul paulista.
* Texto supervisionado pelo editor.