A gratuidade do transporte coletivo para os idosos a partir dos 60 anos foi o principal tema debatido ontem em plenário pelos vereadores mogianos. O assunto, que é alvo de discussão nos últimos dias, retornou à Casa Leis após a previsão de vencimento do contrato com a empresa de transportes CS Brasil, uma das que mantêm a concessão do serviço em Mogi das Cruzes, no próximo mês de maio. Os parlamentares se mostraram favoráveis em relação a uma possível redução da idade mínima atual, que é de 65 anos, para 60.
A Secretaria Municipal de Transportes confirmou a informação passada à reportagem do Mogi News pelo vereador Protássio Nogueira (PSD) de que não há previsão para a isenção da tarifa para idosos entre 60 e 64 anos. A prefeitura ressaltou que qualquer outra gratuidade teria reflexo no custo do sistema e, consequentemente, na tarifa.
Apesar de a prefeitura indicar que a alteração não ocorrerá, conforme publicado ontem pela reportagem com base em justificativa do Executivo feita para o vereador Nogueira, o Legislativo demonstrou que pretende trabalhar no sentido de conseguir a redução. "Fiz uma indicação ao prefeito há uns tempos para que, quando vencesse um dos contratos, se abrisse um estudo para ver de que forma essa alteração de idade afetaria o município", explicou Nogueira.
O vereador Rodrigo Valverde (PT) lamentou o posicionamento da prefeitura em não conceder o Passe Livre para o grupo de idosos. "Tentei discutir esse tema antes das eleições do ano passado e falei para se criar uma Comissão Especial de Vereadores (CEV) para acompanhar o contrato. A população reclama demais do transporte, não tem cobradores e o motorista fica responsável por fazer tudo. Estou vendo que a prefeitura vai renovar sem mexer em nada", disse.
Já o vereador Caio Cunha (PV) lembrou da iniciativa de se criar uma CEV, mas que alguns parlamentares que já haviam assinado o pedido, retiraram o nome do documento. "Eu não sei, mas alguns vereadores retiraram a assinatura da criação de uma CEV que acompanharia esse processo, agora ficamos impedidos de ver esse contrato milionário", afirmou.
Outro vereador favorável à alteração é Diego de Amorim Martins (MDB), o Diegão. Para ele, é necessário que a empresa concessionária do serviço implante abrigos em pontos de ônibus e cuide do que utiliza. "Sou contra a renovação e alerto para que as pessoas comecem a utilizar o transporte por aplicativo que é mais barato e é possível embarcar em qualquer lugar da cidade. As pessoas têm que acordar e não ficarem reféns da empresa", apontou o parlamentar.
Os vereadores do PSD e PSDB também declararam apoio na proposta de redução do limite para o Passe Livre. "Sou favorável a essa mudança e as empresas teriam que cuidar dos terminais de ônibus e colocar mais abrigos em pontos", disse Antonio Lino da Silva (PSD). Edson Santos (PSD) e José Antonio Cuco Pereira (PSDB) também apontaram o voto favorável à iniciativa.
Dentre as cidades do Alto Tietê, apenas Mogi, Ferraz de Vasconcelos e Santa Isabel têm o benefício da gratuidade a partir dos 65 anos. Já na cidade de São Paulo, assim como Suzano, Guararema, Poá, Itaquaquecetuba e Arujá, a lei beneficia pessoas a partir dos 60 anos. "Não é possível Mogi ser uma ilha diante das outras cidades da região que já aderiram faz tempo ao Passe Livre para o idoso de 60 anos. Ouvimos queixas todos os dias e acho que temos que adequar", destacou o vereador Marcos Furlan (DEM).