Uma reunião para estudar medidas para que a Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (CTEEP) não entre com uma ação judicial contra cerca de 500 famílias foi realizada ontem no distrito de Jundiapeba. A informação foi divulgada durante sessão ordinária pelo vereador Rodrigo Valverde (PT), que participou do encontro juntamente com representantes da prefeitura e da própria empresa. De acordo com o parlamentar, na sexta-feira, ele irá se reunir com os moradores que residem na área da CTEEP para "congelar" as construções, ou seja, não aumentar o número de moradias no local.
A situação está sendo discutida desde o ano passado, quando famílias que moravam embaixo das linhas de transmissão foram retiradas após uma reintegração de posse. No início de fevereiro deste ano, a CTEEP anunciou que iria acionar o departamento jurídico para ingressar com uma nova ação na Justiça para retirar cerca de 320 famílias que moram irregularmente na área. "Foi uma reunião muito importante para estudar medidas para que a CTEEP não entre com ação judicial contra mais de 500 famílias que residem na área, vamos nos reunir na sexta para congelar as construções para que ninguém sofra como no ano passado, quando mais de 60 famílias foram retiradas no dia mais frio de 2018", explicou Valverde.
Em junho do ano passado, o prefeito Marcus Melo (PSDB) solicitou durante uma reunião com representantes da CTEEP a suspensão dos processos de reintegração de posse em Jundiapeba até que as famílias fossem beneficiadas pelo programa Minha Casa Minha Vida, em empreendimento a ser efetivado em Cezar de Souza.
O assunto fez com que os parlamentares criticassem a questão da habitação no país. Ontem, construtoras que atuam no programa Minha Casa Minha Vida anunciaram ao governo federal que, por conta de atrasos no repasse de pagamentos provenientes do próprio governo, vão iniciar a demissão de trabalhadores. "A preocupação com moradias é um déficit altíssimo em nossa cidade, como ocorre também no Brasil, com milhões de pessoas em áreas de risco. É um problema social que vem crescendo", alertou Iduigues Martins (PT).
Para Pedro Komura (PSDB), há uma "indústria das invasões" que faz com que os moradores vendam seus barracos e construam outros, para depois, comercializar novamente. "Esses movimentos de moradia são extremamente organizados", lamentou.