A rede municipal de ensino de Mogi das Cruzes conta com a Escola Municipal de Educação Especial Professora Jovita Franco Arouche (Emesp), o Pró-Escolar e as 16 salas de Atendimento Educacional Especializado para receber alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Nessas unidades, são oferecidos atendimentos pedagógicos especializados como fonoaudiologia, fisioterapia, psicologia, psicopedagogia e a educação física adaptada. Segundo a assessoria do município, 227 alunos com autismo são atendidos na rede.
A artesã Cintia Miura, de 36 anos, descobriu que a filha, Clara, que tem 13 anos, possuía síndrome do cromossomo 22 e autismo severo, quando ela estava com apenas 3 anos. Seis anos depois, recebeu também o diagnóstico de síndrome de Rett, microcefalia e hiperatividade. "Eu suspeitei que ela tinha algo porque identifiquei comportamentos agressivos, atrasos na fala e a falta de contato físico", explicou.
Em 2012 ela iniciou os atendimentos na Emesp e, hoje, Clara já tem 10 anos de tratamento. Cintia contou sobre as formas que a assistência contribuiu no desenvolvimento social e fisiológico. "Na Emesp, a Clara recebe atenção individual, atividades de coordenação motora, natação e fisioterapia. Antes, ela era muito agressiva e chorava muito. Hoje, percebo muitos avanços, como o contato visual mais frequente e o comportamento mais calmo e adequado", detalhou a mãe, com alegria.
Tentar brincar com uma criança utilizando jogos e atividades que ela geralmente adora, ou demonstrar carinho e não receber nenhuma resposta positiva é uma das partes mais tristes para as mães de crianças com o TEA. Infelizmente, o padrão de autistas comumente divulgado, foge de como a maioria deles é na realidade.
É o que disse a dona de casa Rosemay Niiyama, 52, que tem uma filha autista, Karina, 26. "Nossas crianças têm comportamentos agressivos, dificuldades de interação social e intelectual. O que é totalmente diferente dos autistas super desenvolvidos que vemos nas televisões", explicou. Rosemay lamentou o fato de não existir políticas públicas suficientes para os autistas adultos. Segundo ela, muitos pais buscam a criação de um centro de convivência adequado para os adultos com atividades multidisciplinares.
A Emesp realizou na semana passada uma ação para instruir sobre as principais características do transtorno e as formas de identificá-lo. A ação foi feita por meio da distribuição de panfletos, no Largo do Rosário. Durante a entrega, os voluntários também esclareceram dúvidas dos interessados. (T.M.)