A primeira reunião para tratar sobre a recuperação dos alunos, professores e funcionários da Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, dois dias depois do crime que acabou mantando dez pessoas, entre elas os protagonistas dos ataques, Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique Castro, de 25, ocorreu ontem. O encontro buscou soluções, ouvindo os especialistas, para abordar o tema, principalmente com os jovens que passaram por este trauma. Sobre esse retorno aos estudos, a Secretaria de Estado da Educação informou que a previsão de retorno ao calendário normal de atividades (que ainda não foi confirmada) pode ser para a segunda-feira da semana que vem.
Já para esta semana, haverá trabalhos voltados aos alunos, professores e profissionais da escola que queriam voltar, para que, da forma que acharem necessário, recebam conselhos e participem de conversas a fim de tentar superar o ocorrido.
A reunião contou com a presença da primeira-dama do Estado de São Paulo, Bia Doria, do secretário de Estado de Justiça, Paulo Dimas, da deputada federal Kátia Sastre (PR), do prefeito de Suzano, Rodrigo Ashiuchi (PR), além do secretário de Estado da Educação, Rossiele Soares da Silva.
"Escrito nas pedras"
O secretário da Educação disse que ainda não há um calendário definido e que as formas de resolver essa situação "não estará escrita em pedras". "Estamos vivendo um momento diferente nesta escola, e esse foi o debate da reunião. A única coisa que temos certeza é que precisamos respeitar o espaço e o tempo desses jovens, dos professores, no processo de luto".
Ainda de acordo com o secretário, o esforço da pasta, está no acolhimento, seja individual, em grupo ou nas residências das pessoas que passaram por esse trauma. "A Raul Brasil precisa de um suporte de especialistas, não é o secretário que vai definir esse tempo nem fechar uma agenda, estou tentando aprender e superar esse fato".
Para se ter uma ideia do quão ampla foi a discussão realizada ontem, no local do atentado, haviam representantes do Ministério dos Direitos Humanos, Secretarias de Saúde do Estado e de Suzano, representantes de universidades, além de profissionais da área da psicologia de faculdades federais, todos reunidos para discutir, debater e entender a melhor forma de oferecer atendimento aos funcionários e alunos da escola.
Segurança
Para o secretário Rossiele Soares, o atentado de Suzano vai além dos problemas de segurança. "Precisamos separar os aspectos específicos do que aconteceu no Raul Brasil. O que vimos nesta escola vai além de um policial em cada escola, não é só isso", comentou. "Como identificar um menino que tem esses tipos de problemas?", concluiu.
Revitalização
Antes da reunião começar, havia um intenso movimento de profissionais da prefeitura e de empresas da região. Os esforços se concentraram na revitalização estrutural do prédio, desde a pintura, jardinagem até a troca dos vidros que chegaram à escola pouco antes do debate começar. "Estamos realizando essa revitalização com parceria do governo do Estado, para que no futuro próximo comece o trabalho de recepção dos alunos dos funcionários e da comunidade", comentou o prefeito de Suzano Rodrigo Ashiuchi (PR) que estava na coletiva de Imprensa depois da reunião.
*Texto supervisionado pelo editor.