As plantações de verduras e de outros produtos de Mogi das Cruzes estão ameaçadas devido às constantes chuvas que caem no Alto Tietê desde o início do ano. Para se ter uma ideia, o mês passado foi o mais chuvoso dos últimos 15 anos na capital paulista segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Com isso, de acordo com avaliação do Sindicato Rural de Mogi das Cruzes, as chuvas podem prejudicar as plantações, seja diretamente com a água que danifica as folhas ou com a umidade que se infiltra no solo e prejudica o desenvolvimento das raízes das verduras e leguminosas.
Além de destruir alguns produtos, as intensas chuvas interferem diretamente na qualidade dos alimentos que chegam às prateleiras do consumidor, pois algumas folhosas são sensíveis à exposição de umidades por um período mais prolongado.
As informações foram passadas pelo presidente do sindicato, Minoru Mori, que afirmou também que os vegetais e legumes só aumentam de preço quando diminuiu a quantidade repassada aos comerciantes. "É a lei da oferta e demanda. Se não há o suficiente que a população está acostumada a comprar, o preço sobe para compensar essa defasagem", explicou. O representante da instituição confirmou que fevereiro de 2019 foi um mês atípico em relação à outras épocas do ano. "A soma do calor com as chuvas diminuíram a qualidade das hortaliças", disse.
Porém, outro panorama pode interferir no preço dos produtos. Alguns alimentos naturais podem ter a durabilidade reduzida nas prateleiras, e, com isso, podem perder valor de mercado.
O Sindicato Rural de Mogi alegou ainda que são justamente as folhosas que mais perdem qualidade nestas situações de chuva. Tanto que dos 150 itens de maior importância da cesta de produtos agrícolas, as verduras tiveram elevação de 27,4% em janeiro deste ano, de acordo com levantamento realizado pela Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp). Para se ter uma ideia, o coentro registrou aumento de 209,1% na comparação do primeiro mês deste ano com dezembro do ano passado.
Mas, de acordo com Mori, a expectativa é que neste mês haja uma normalização da produção e venda de produtos agrícolas no Alto Tietê. "A tendência é que com a vinda do outono a estabilidade volte na região", estimou o dirigente.
Tendência
A Ceagesp afirma que pelo lado da oferta, há a expectativa de redução do volume ofertado e perda de qualidade na maioria dos produtos, principalmente os mais sensíveis, como folhosas, abobrinha, chuchu, tomate e vagem, dentre outros. Em relação a demanda, deve se intensificar a procura em razão do fim do período de férias. Estes cenários sugerem, portanto, o aumento dos preços praticados em março.
* Texto supervisionado pelo editor.