Cerca de cem pessoas participaram da palestra "Família e suas novas estruturas". Esse foi o gancho para colocar em pauta assuntos como bullying, diálogo entre pais e filhos e citar o assassinatos ocorridos na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, na semana passada. O público alvo é composto por beneficiários do programa Bolsa Família. As ações acontecem mensalmente com temas distintos escolhidos pela própria comunidade.
A dona de casa Miriam Rodrigues, de 30 anos, relatou que o filho, Mateus, sofre com o bullying. "Ele chegou em casa e falou que os amigos chamam ele de gordo. E aí, o que eu faço?", perguntou ela para a assistente social, Dulscinéia de Souza Oliveira, responsável pela palestra. A resposta? O diálogo. Ela ressaltou a necessidade de os pais ouvirem, conversarem e brincarem com os filhos, mesmo com a correria do trabalho e tarefas domésticas. De acordo com Dulscinéia, mais que a quantidade é preciso investir na qualidade do período que é dedicado aos filhos.
Como pano de fundo dessa discussão foi abordado a tragédia da Raul Brasil, que deixou dez mortos, incluindo os dois atiradores - ex-alunos da instituição. Um deles é a pessoa apontada como mentor intelectual do crime. Essa situação joga luz a discussão sobre o papel da família na criação dos filhos. "Queremos que sejam crianças saudáveis, para se tornarem adolescentes saudáveis e adultos saudáveis e que saibam criar seus filhos", explicou a assistente social.
A proposta dessa Ação Comunitária é debater o assunto e não culpabilizar os pais. "Não é para dizer quem foi errado, se mãe ou pais, mas para refletir sobre o que cada um está fazendo dentro de casa", disse Dulscinéia.