As escolas municipais Florisa Faustino Pinto, no Jardim Santos Dumont, e Astréa Barral Nébias, em Jundiapeba, estão realizando ações para os desalojados que tiveram suas casas ilhadas na madrugada de segunda-feira passada, por conta das fortes chuvas. Os dois locais foram um dos pontos mais afetados pelas tempestades. A Prefeitura de Mogi das Cruzes informou que, ao todo, foram contabilizadas 50 pessoas nesta situação.
A escola Florisa Faustino Pinto está abrigando temporariamente 19 pessoas, enquanto a escola Astréa Barral Nébias já abriga 31. As aulas foram suspensas e não têm previsão para a retomada.
As principais represas, de Jundiaí e Taiaçupeba, receberam alerta de risco de transbordamento porque o volume de água atingido foi superior ao esperado e, sem pausa das chuvas, a população que mora próxima às represas tiveram suas casas alagadas.
A ação das escolas com os desalojados permite que eles passem noites no local e recebam alimentação, banho e segurança. Segundo a secretária da Assistência Social, Neusa Marialva, as escolas vão receber pessoas até alcançar a capacidade máxima, de acordo com o plano estudado junto à Secretaria da Educação. "Ainda não é possível estimar o tempo exato de permanência dessas pessoas nas escolas, mas é preciso que as condições de higiene, alimentação e segurança se mantenham para todos os assistidos que necessitam do serviço. Portanto, é importante lembrar que os abrigados serão alocadas enquanto houver condições para a recepção dos mesmos", detalhou a secretária.
A reportagem do Mogi News foi até a escola Astréa Barral Nébias, em Jundiapeba, para saber como as famílias são abrigadas no local. O carpinteiro Rodrigo Dias, 29 anos, chegou à escola na manhã de ontem e contou que estava com sua filha de 4 meses no hospital e, quando voltou, a casa se encontrava completamente alagada. "Eu não consegui recuperar nenhum objeto meu ou da minha esposa. Quando chegamos em casa tudo já estava devastado. A água chegou na nossa cintura e todos os nossos pertences já estavam ilhados", lamentou.
A desempregada Maria Lindines, 24, também chegou à escola pela manhã de ontem com o companheiro e a filha de apenas um ano. Segundo ela, na noite anterior, eles dormiram na casa de um vizinho, mas por questões pessoais resolveram pedir auxílio ao Centro de Referência de Assistência Social (Cras). Maria está grávida de sete meses e, em razão do alagamento, perdeu uma consulta de pré-natal. "O que mais me preocupa é que vou ganhar meu bebê em pouco tempo e não fazemos ideia de quando a situação vai melhorar para que a gente consiga voltar para a casa", contou.
*Texto supervisionado pelo editor.