O presidente da Vale, Fábio Schvartsman, disse ontem que a empresa pretende acelerar o pagamento de indenizações às famílias das vítimas da tragédia em Brumadinho (MG). Segundo o executivo, a Vale vai abdicar de qualquer ação judicial sobre o caso e optar por fechar acordos extrajudiciais. O anúncio foi feito após reunião com a procuradora-geral da República, Raquel Dodge. O rompimento da barragem na sexta-feira da semana passada causou, até o momento, a morte de 110 pessoas, e 238 pessoas estão desaparecidas.
"Nossa intenção foi basicamente revelar a ela (Dodge) a nossa intenção de acelerar ao máximo o processo de indenização e atendimento às consequências do desastre. Para tanto, estamos preparados para abdicar de ações judiciais. Queremos fazer acordos extrajudiciais e estamos buscando assinar, com a maior celeridade possível, ações com as autoridades do Estado de Minas Gerais que permitam que a Vale comece imediatamente a fazer frente a este processo indenizatório", disse.
O valor das indenizações não foi definido pela empresa, disse Schvartsman, mas a intenção é realizar os pagamentos assim que o acordo for assinado com o governo de Minas Gerais. "O valor do acordo é o valor que tiver que ser. Não existe um valor definido. Vai ser aquilo que for necessário. Quando for definida a extensão das vítimas, o valor será decorrente disso", disse.
Schvartsman foi questionado sobre se temia que executivos da Vale fossem presos. "Eu não tenho nenhum motivo para temer a prisão de nenhum executivo da Vale", respondeu. Ele negou que os acordos para o pagamento de indenizações tenham como objetivo aliviar a aplicação de futuras penalidades à empresa. "Nós não estamos em absoluto preocupados com esta questão. Estamos sinceramente muito chateados e tristes com o que aconteceu e queremos minorar o sofrimento das vítimas", disse.