O segundo júri popular das chacinas que ocorreram em Mogi das Cruzes entre 2013 e 2016 acontecerá hoje, às 13 horas, no Fórum de Braz Cubas. Os ex-policiais militares Fernando Cardoso e Vanderlei Messias Barros são acusados pelo Ministério Público (MP) pela morte de Rafael Augusto Vieira Muniz e Bruno Fiuza Gorrera, assassinados em setembro de 2014. A ocasião será marcada por protestos do grupo de mães que tiveram os filhos vítimas das chacinas.
Para a professora Inês Paz, do grupo Mães Mogianas, a expectativa para que os ex-militares sejam condenados é grande. Na sexta-feira passada, ela, juntamente com as mães das vítimas, conversaram com os promotores do caso e tiveram retorno positivo. "Esperamos que eles sejam condenados. Em conversa com a promotoria, nós vimos o empenho no caso. Será um júri longo", previu.
Uma das mães, também do Mães Mogianas, e que estará presente no julgamento, é a mãe de Diego Rodrigo Marttos, assassinado aos 33 anos em Jundiapeba, no primeiro dia de 2015, Maria Aparecida Alves Marttos, 61. Apesar do momento relembrar o sofrimento do dia em que perdeu o filho, ela está ansiosa para que os ex-policiais sejam condenados. "Esperamos que desta vez consigamos a condenação de ambos. Apesar de novamente relembrar do dia em que perdemos nossos filhos, estamos na luta, só estou aqui ainda porque tenho esse apoio das outras mães, se não, não teria forças para seguir", contou.
No final de outubro do ano passado, Cardoso foi inocentado durante o primeiro júri popular de um homicídio que aconteceu em Mogi no ano de 2013, o que foi desolador para o grupo de mães que lutam pela prisão dos acusados. Na ocasião, ele estava sendo acusado pelo Ministério Público (MP) como autor da morte de Matheus Aparecido da Silva, de 16 anos, e por homicídio tentado de outros dois jovens na madrugada do dia 15 de novembro de 2013.
O grupo também questionou alguns pontos levantados durante o julgamento. De acordo com Inês, a defesa apontou irregulares no processo e que havia falhas. "Nenhum membro da Polícia Civil foi chamado e eles apontaram irregularidades. Parecia tudo um teatro para dar esse resultado".