A etapa que parecia ser a mais simples para que, enfim, os motoristas de transportes por aplicativo pudessem rodar pela cidade de maneira regular, travou. Isso porque, depois de muita discussão, que teve início no ano passado, envolvendo prefeitura, taxistas, e motoristas de Uber e afins, finalmente o decreto de regulamentação foi aprovado, no dia 25 de janeiro, mas agora são as Operadoras de Tecnologia de Transportes (OTT) que não querem se cadastrar na cidade, por não concordarem com as regras impostas pela prefeitura.
De acordo com o presidente da Associação de Motoristas por Aplicativos da Região do Alto Tietê (Amarat), Maicon Silva, o projeto aprovado em Mogi não segue o modelo de negócio do segmento. Após a fiscalização ser colocada em prática, desde anteontem em Mogi das Cruzes, o presidente do grupo alegou que está elaborando meios para mediar a negociação entre prefeitura e OTTs. Hoje, irregulares, as empresas do segmento que atuam na cidade sem cadastro podem ser multadas em R$ 17.407.
"A questão é que o motorista pode desistir de trabalhar para a Uber. A empresa não desativa o cadastro deste motorista, ele fica ativo, pois o modelo de negócio prega que a Uber é para aqueles que queiram fazer um trabalho extra, então não tem amarras", explicou. O presidente da associação fez as contas e disse que a empresa pagaria mensalidade de R$ 84 por veículo cadastrado em Mogi, o que não seria interessante economicamente para as empresas do segmento.
O presidente da Amarat alegou que mesmo a Uber correndo o risco de pagar mais de R$ 17 mil em multa, os motoristas não irão parar de trabalhar pelas ruas de Mogi. "A Uber não está começando agora, ela já tem anos no mercado, sabe qual é o andamento do processo. Pode ser que não se cadastre na cidade e, ainda, pode ser que recorra à Justiça", especulou. 
Silva ainda informou que o projeto de regularização da Prefeitura de Mogi das Cruzes deve ser melhor elaborado. "Os dados dos motoristas, por exemplo, são sigilosos para a empresa e a gestão pública deveria apresentar uma garantia desse sigilo". Ainda de acordo com o presidente da Amarat, a Uber possui 70% da população como utilizador do aplicativo.
Multas
A fiscalização ao transporte por aplicativo é realizada, de acordo com a Secretaria de Transporte, pelos agentes da pasta, que são responsáveis também pelo monitoramento da operação dos táxis, transporte escolar, fretamento, entre outros. Ainda de acordo com a pasta, até o momento nenhuma multa foi aplicada às OTTs. 
*Texto supervisionado pelo editor.