A prefeitura de Ferraz de Vasconcelos foi palco para uma confusão na manhã de ontem envolvendo servidores públicos e os cinco procuradores que foram afastados pelo prefeito José Carlos Fernandes Chacon (PRB), o Zé Biruta, em agosto do ano passado.
Segundo informações confirmadas por ambas as partes, o grupo de procuradores afastados foi convocado a se apresentar na prefeitura para depor sobre o processo que culminou com o afastamento dos cargos. Marcus Vinicius Santana Matos Lopes, um desses defensores, momentos antes de iniciar a audiência, entrou em uma sala na qual ele não teria acesso permitido e foi informado pelo corregedor municipal, Natal Rocha de Souza, que teria descumprido uma ordem administrativa e recebeu voz de prisão.
A Guarda Civil Municipal (GCM) foi acionada para encaminhar Lopes à delegacia e as testemunhas que presenciaram o ocorrido. Em vídeos que circulam pelas redes sociais é possível ver o momento em que o procurado entra em uma viatura da GCM e é encaminhado para prestar depoimento. Em outro vídeo, o defensor bate-boca com um servidor público que proíbe a entrada do advogado. Após depoimentos dos envolvidos, o delegado decidiu por instaurar inquérito sobre o caso.
"Destruir provas"
Gabriel Nascimento Lins de Oliveira, um dos procuradores afastados que estava na prefeitura ontem pela manhã, disse que Lopes teve não teve a intenção de entrar em uma área na qual não teria acesso, e que, mesmo que tivesse cometido esse erro, não caberia a voz de prisão em flagrante. Para ele, a voz de prisão é uma retaliação do corregedor, que seria acusado em duas ações movidas pelos procuradores quando ainda estavam em atividade. 
Ainda segundo o procurador que acompanhou o desenrolar da confusão, a restrição da qual impedia a circulação dos investigados, não especificava qual departamento era autorizado ao acesso. "O que (Lopes) fez não é crime, e muito menos com prisão em flagrante", concluiu.
Versão do Executivo
A Prefeitura de Ferraz disse que o defensor invadiu as dependências do Departamento Jurídico a fim de, "possivelmente, destruir provas, coagir testemunhas e praticar a coação no curso do processo, também fazer a subtração de bens e vasculhar documentos de propriedade da administração municipal". O executivo ainda apontou que  "os procuradores foram intimados e só poderiam estar presentes em determinadas áreas por estarem sob efeito de medida cautelar de afastamento, não podendo transitar em qualquer dependência do prédio da prefeitura pelo risco de influenciar a instrução dos processos que respondem", finalizou a prefeitura.
*Texto supervisionado pelo editor.