Após um período sem ter acesso aos tratamentos da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), em Mogi das Cruzes, pais - assim como os pacientes adultos - de outras cidades da região ficaram felizes com o retorno de seus filhos para o hospital de ortopedia, referência nos tratamentos de pessoas em deficiência física. O atendimento voltou a ser estendido aos demais localidades há cerca de um mês, logo após uma parceria com o Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat), e, desde então, 161 pacientes (exceto mogianos) estão sendo atendidos. A AACD era subsidiada com verba apenas das prefeituras de Mogi, Poá e Guararema. Em outubro de 2015, os atendimentos para pacientes de Itaquaquecetuba e Suzano foram suspensos, o que, na época, gerou reclamação entre os pais das crianças.

Foi o caso da Camila, de 4 anos, diagnosticada com paralisia cerebral. A pequena aguardou para receber o tratamento na AACD de Mogi por um ano. A mãe, Jéssica Oliveira, 27, moradora de Santa Isabel, contou que a filha nasceu prematura com diversos problemas de saúde, mas o diagnóstico da paralisia só veio aos 4 meses de vida da Camila. “Conseguimos a vaga em dezembro do ano passado e, mesmo com o curto tempo, já vejo o progresso da minha filha”, disse a mãe, animada.

As vagas para tratamento na AACD é mediada pelas secretarias Municipais da Saúde junto ao Condemat. Ao chegarem na AACD, os pacientes realizam uma avaliação global, para saber o diagnóstico e quais os tratamentos necessários; que são multidisciplinares e englobam pedagogia, psicologia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, fisioterapia de solo e fisioterapia aquática.

Nicolas, de 11 anos, contou que a fisioaquática (como chama) é a que ele mais gosta. A mãe, Terezinha Caraça, 42, moradora de Arujá, contou que é pelo fato de o filho ficar em pé na piscina, que tem o gosto pela água. Nicolas, assim como Camila, foi diagnosticado com paralisia cerebral. A única diferença da pequena de 4 anos é que a deficiência foi descoberta logo no nascimento prematuro no menino.

A mãe dele teve que entrar na Justiça para agilizar a entrada nos tratamentos na AACD de Mogi. “Aqui é muito bom. Antes, em Arujá, não via o progresso do meu filho. Aqui é diferente, ele já fica em pé; sem comparação”, disse, entusiasmada. Agora, Nicolas aguarda por uma cirurgia que irá possibilitar que ele comece a dar alguns passos.

Um paciente experiente é o Silvio Luis Lopes, 42, aposentado e diagnosticado aos 17 anos com distrofia muscular de Becker. Ele sofreu com o impasse entre prefeitura e AACD, ficou em casa por um ano e meio e retornou há três meses. “Tive psoríase, apareceram diversas manchas na minha pele, é uma doença do sistema nervoso e emocional”, relembrou. Lopes frequenta a AACD uma vez por semana para fazer os tratamentos. “Gosto da estrutura, é bem organizado. Senti falta dos funcionários, pois ficamos direto com eles no dia a dia”, contou, sorridente.
*Texto supervisionado pelo editor.