Cerca de 300 policiais militares dos três batalhões que compreendem as cidades do Alto Tietê - 17º de Mogi das Cruzes; 32º de Suzano e 35º de Itaquaquecetuba - iniciaram ontem o treinamento para uso de Arma de Incapacitação Neuromuscular, denominada Spark e popularmente conhecida como arma de choque. O equipamento, ainda novo na região, pode liberar 50 mil volts em baixa amperagem, fazendo com que a pessoa atingida fique temporariamente imobilizada. Este é o objetivo da PM, ou seja, treinar os oficiais a fim de evitar luta corporal desnecessária. O treinamento acontece até o dia 1º de fevereiro.
A Spark será utilizada durante as ocorrências para que tanto o policial quanto os envolvidos sejam preservados. Atualmente, apenas alguns oficiais, como sargentos, utilizam o equipamento por já estarem habilitados, no entanto, a chegada da arma na região fez com que o Comando de Policiamento de Área Metropolitano Doze (CPAM-12) iniciasse o treinamento de cabos e soldados. "Às vezes, quando chegamos a uma ocorrência, há um indivíduo perturbado ou é uma briga de marido e mulher, uma pessoa com pedaço de madeira ou faca. Então, para preservar o próprio policial, que não terá contato direto, e a vítima, estamos iniciando esse treinamento", contou a chefe de comunicação social do CPAM-12, tenente Brenda Castro Dias. Com a habilitação dos 300 policiais, pelo menos um em cada viatura que circula pelo Alto Tietê terá autorização para utilizar o equipamento.
O uso indevido da arma pode levar o policial a responder por crimes de tortura ou homicídio, por isso, antes do treinamento prático, é realizada uma aula teórica sobre legislação. De acordo com a tenente Brenda, ainda não é comum o uso da Spark, por isso é necessário o treinamento. Caso o policial não saiba utilizar a arma, poderá atingir pontos vitais de uma pessoa. "Os policiais têm que estar cientes que aquilo é um armamento, ele precisa reconhecer as consequências do mau uso", contou.
Utilização
Imagine uma ocorrência em que uma pessoa teve um surto por uso de drogas e ninguém consegue controlá-la. Os policiais tomaram medidas progressivas, principalmente as conversas, mas não houve solução. Ao invés de utilizar o armamento letal, utilizam a arma de choque, que deixará a pessoa temporariamente imobilizada. "Se um indivíduo estiver agressivo por uso de droga, com um pedaço de madeira nas mãos ou faca, ao invés de utilizarmos nosso armamento letal, será feito o uso da arma de choque, que vai deixá-lo imobilizado", explicou o sargento do CPAM-12, Luciano Cardoso. O equipamento não pode ser utilizado caso a pessoa esteja próximo de quadros de energia, locais alagadiços, em pessoas com menos de 50 quilos, motoristas e gestantes.