Um ofício solicitando a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para que os vereadores de Mogi das Cruzes apurem a decisão da prefeitura sobre o aumento da tarifa de ônibus foi protocolado na Câmara de Vereadores na sexta-feira passada. O pedido de abertura de inquérito foi realizado por membros do Movimento Acredito, que entregaram também um documento com 4.893 assinaturas coletadas por meio de um abaixo-assinado online solicitando que sejam expostos os contratos com as empresas concessionárias responsáveis pelo transporte público municipal.
O grupo questiona o aumento da tarifa, sendo que em 2017 a câmara aprovou a Lei de Isenção do ISS, ressaltando que o repasse ao usuário seria mediante redução ou manutenção do preço da tarifa.
O Movimento tenta usar como exemplo a sede que fica na cidade de Florianópolis, Estado de Santa Catarina. Lá, o grupo conseguiu também por meio de um abaixo-assinado, que os vereadores instalassem uma CPI/CEI (Comissão Especial de Inquérito) para investigar os contratos com as empresas de ônibus e o cálculo realizado para o reajuste.
Segundo a estudante Maria Luiza Fernandes, uma das coordenadoras do Movimento Acredito na região, o aumento anual na tarifa é necessário, devido a inflação e aos gastos das empresas, mas que neste ano causou estranheza. "Acredito que a solução para esse problema seria mais clareza do setor público. Diversas vezes ouvimos representantes falarem que existem estudos em relação às empresas de ônibus, mas não se sabe o quanto será destinado ao motorista, o quanto será para a manutenção dos ônibus, nem de quanto será o lucro das empresas", concluiu Maria.
De acordo com Ruan dos Santos Ferreira, que é voluntário no Movimento Acredito de Mogi, o valor da tarifa está elevado até em comparação com a capital de São Paulo, onde os trajetos são maiores, o que custaria mais ao município. "Em São Paulo, o valor da passagem é R$ 4,30 e as distâncias são maiores. Aqui, os trajetos levam de 15 a 20 minutos e hoje temos esse preço de R$ 4,50. De acordo com nossas contas, isso custa 13% do salário do cidadão que precisa pegar o transporte coletivo todos os dias", destacou Ferreira.
O presidente da câmara, vereador Sadao Sakai (PR), determinou que o ofício seja encaminhado à Procuradoria Jurídica da Câmara para análise.
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