O decreto assinado ontem pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) facilita a posse de arma de fogo nas residências ou no estabelecimento de trabalho - caso o dono da arma seja responsável pelo local (veja matéria na página 8). Organizado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e encaminhado à Casa Civil para receber os últimos ajustes, o documento prevê que o prazo para a renovação da autorização de posse aumentará de cinco para dez anos e haverá regras mais claras para a comprovação da necessidade da posse de arma, já que Bolsonaro levou em conta cidades onde a taxa de homicídio por 100 mil habitantes é maior do que dez. A reportagem esteve no centro de Mogi das Cruzes para saber a opinião da população sobre a posse de arma de fogo. A maioria dos entrevistados se declarou contra.
A nova legislação também obriga que, para se ter uma arma na residência onde morem crianças, adolescentes ou pessoas com deficiência mental, é preciso possuir um cofre ou um local seguro para armazenar. Servidores públicos com funções de poder de polícia e donos de estabelecimentos comerciais ou industriais também tiveram a posse liberada. A posse de arma é diferente do porte de arma, ou seja, mesmo com a facilidade para se ter a arma, não é permitido andar nas ruas com o artefato.
"Sou contra porque sem arma a situação já está feia, imagina com arma?", questionou a auxiliar de higienização, Marli Aparecida, de 39 anos. Para ela, exemplos de casos de feminicídio e desordem pública devem ser levados em conta, pois "ficará tudo liberado". Um jovem que preferiu não se identificar contou que também é contra, pois não será solução para melhorar a segurança. "Todo mundo poderá ter uma arma, vai ser muita matança e confusão", contou.
O autônomo Ederson Felipe da Cruz Pereira, 20, concorda em partes, já que "não vai ser tão fácil assim ter uma arma". O jovem vê esperança no governo Bolsonaro, principalmente em relação ao combate à corrupção, mas diz que a facilidade para se ter uma arma é um risco. "Para ter uma arma é preciso passar por vários exames psicológicos, ter uma idade mínima, então, não é qualquer um que vai ter uma arma. Eu sei que o Bolsonaro está investindo na segurança, no combate à corrupção, mas não precisa dessa liberação de posse de arma", explicou.
A cuidadora de idosos, Joelma da Silva, 50, estava com o filho, Matheus Luis da Silva Ferreira, estudante de 18 anos. Ambos são contra e citaram exemplos do que acreditam que pode acontecer em casos de desavenças familiares. "Imagina uma briga dentro de casa e o marido acaba matando a mulher? É por isso que eu não concordo, tem muita gente que já faz coisa errada sem arma, se facilitar isso, qualquer um vai sair matando", ressaltou Joelma.
Em contraponto, o técnico de enfermagem José Ricardo de Oliveira, 37, é a favor do decreto assinado ontem. Ele acredita que a facilidade de liberação não será uma solução, mas inibirá a ocorrência de crimes. "Acho que qualquer pessoa tem o direito de se defender. Então, sou a favor sim, mesmo não sendo uma solução, mas pode inibir situações complicadas de acontecer", declarou.