A diversidade e inclusão da concessionária Ecopistas abriu portas para a admissão de três transgêneros. Há um mês e meio, o trio atua na praça de pedágio de Itaquaquecetuba como operador de pedágio, porém, antes disso, as dificuldades e o preconceito ao buscar uma oportunidade no mercado de trabalho fizeram parte do cotidiano.
"Sou um homem trans e me assumi há uns três anos. De lá para cá tive muita dificuldade em conseguir um emprego, de me incluir no mercado de trabalho, era como se eu vivesse uma segunda vida, reafirmando só para si e não para os outros quem realmente eu era", contou Jordan Santos, de 24 anos. Ele, que reside em Caçapava, interior de São Paulo, contou que é a primeira vez que se sente bem em um local de trabalho, já que "posso ser eu mesmo".
Outro exemplo é do Fernando Maia Pesoni, 36. Homem trans, passou por diversas dificuldades, ao ponto de faltar comida dentro de casa. "Antes desse emprego, era como se eu fosse inferior ao mundo. Já faz um ano e meio que estou no tratamento e parece que depois disso as coisas começaram a piorar, já passei por muitos momentos constrangedores, tive que andar com roupas sociais e usar maquiagem", disse.
Para o coordenador do sistema rodoviário, Carlos Boiani, o ingresso dos transgêneros na empresa foi um momento de pluralidade e empatia. "O programa de diversidade e inclusão do ano passado possibilitou abrir portas para os transgêneros. Fizemos uma parceira com a Prefeitura de Guarulhos para receber os currículos desse público, que antes não chegavam para nós de forma orgânica", ressaltou. (L.P.)