A audiência de custódia do segurança Michel Flor da Silva, de 28 anos, assassino confesso da adolescente Rayane Paulino Alves, 16, morta em outubro do ano passado, aconteceu ontem no Fórum de Braz Cubas, em Mogi das Cruzes. Ele, que responde pelos crimes de homicídio qualificado, estupro qualificado e ocultação de cadáver, chegou ao fórum sob escolta policial enquanto familiares e amigos da jovem pediam justiça. Além de Silva, sete testemunhas do crime foram interrogadas. Ele confessou à polícia ter matado a jovem.
"Nossa rotina tem sido diferente depois que tudo aconteceu, esperamos que a justiça seja feita. A saudade sempre vai existir, sempre vamos sentir", contou a prima de Rayane, Ana Caroline Paulino Gonçalves, 26. Um cartaz afixado nas grades do portão do fórum, com os dizeres "Chega de dor: Viva e deixe-me viver", demonstrava a saudade da família pela jovem. Sob forte emoção, os familiares e amigos fizeram uma homenagem e rezaram.
O caso
O corpo de Rayane foi encontrado em estado avançado de decomposição por moradores do bairro Lambari, em Guararema, próximo à rodovia Ayrton Senna (SP-70). Ela estava desaparecida desde o dia 21 de outubro, depois de sair de uma festa em um sítio no bairro do Botujuru, em Mogi.
De acordo com a Polícia Civil, a jovem decidiu deixar a festa sozinha e retornar para a casa, entretanto, caminhou no sentido para Guararema e não Mogi. No caminho, um motorista de aplicativo que passava pela estrada a abordou e questionou o porquê dela estar sozinha. Desde o início, a polícia descartou a participação do motorista no crime. Na ocasião, ele deu uma carona para Rayane e a deixou no terminal rodoviário de Guararema. Foi lá que Silva a abordou, dizendo que a levaria para Mogi.
Em depoimento, o segurança ressaltou que Rayane disse que "ainda queria curtir". Por isso, mudou a rota, dizendo que havia uma festa em Jacareí. Silva também contou à polícia que ele e a jovem se beijaram e tiveram relações sexuais. Para a polícia, o assassinato aconteceu dentro do carro do segurança e, depois disso, ele a deixou no local onde o corpo foi encontrado. "Fizemos uma varredura pelo local e achamos uma caneta verde com detalhes prata com o nome de uma construtora. Quando chegamos à casa dele, perguntamos se ele tinha uma caneta, e ele deu a mesma caneta de cor verde. Era o que faltava", ressaltou o delegado da Delegacia de Homicídios, Rubens José Angelo, na época do crime.