Aos 18 anos, o jovem morador do Jardim Santa Tereza, em Itaquaquecetuba, está prestes a retornar para o lar. Depois de passar pouco mais de um ano, pela terceira vez, na unidade do Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente (Fundação Casa), conhecida como Casa Itaquá, localizada no bairro Perobal, o jovem promete ir à igreja agradecer pela recuperação nesses anos em que ficou como interno. Quando nasceu, não conheceu o pai e a mãe era usuária de crack. As irmãs mais velhas sempre o alertavam sobre as atitudes que começou a tomar desde os 13 anos. O tráfico de drogas e os roubos se tornaram frequentes e acabou deixando a escola de lado. Enxergava nos demais adolescentes aquilo que não tinha: roupas e tênis caros. Na Fundação Casa recebeu uma nova chance para recomeçar.
Cursando o Ensino Fundamental II, prefere não conversar muito com os demais 58 internos. Destes, cerca de 30 são de Itaquá. "Eu não vou mentir, era usuário de maconha e cocaína. Quando saí daqui, das outras vezes, não conseguia colocar na minha cabeça que ficaria longe do crime", contou. "Converso com os outros jovens e é aí que a gente pensa que o negócio é louco mesmo, sabe? A gente chega aqui, vai se acostumando, criando um vínculo, igual com nossa família", disse.
Ao acordar, por volta das 6 horas, arruma o dormitório e toma café, assim como os demais jovens com quem convive. Às 7 horas já está na sala de aula, dentro da própria Fundação Casa. No total, são quatro salas, sendo duas para o Ensino Fundamental II e duas para o Ensino Médio. Lá, os jovens internos recebem os mesmos conhecimentos que teriam em uma escola estadual. Na busca de uma profissão, frequentou o curso de cabeleireiro para abrir um salão - os internos na Fundação Casa têm a possibilidade de se formarem em diversas áreas.
Outro jovem, também de 18 anos, morador do Jardim Caiuby, em Itaquá, sonha em ter o próprio salão. "Me envolvi com maus elementos, comecei a roubar e traficar. Me arrependo bastante, é a segunda vez que fico internado. Aqui eu posso refletir melhor sobre os meus erros", afirmou. Envolvido no crime desde os 13 anos, ele não imaginava que seria apreendido e tinha a esperança de que a vida na criminalidade lhe traria só benefícios. "Achava que os estudos não me levariam a nada. Mas aqui posso aprender Artes, Educação Física, mudei a forma de dialogar e o comportamento. Mas, fiz minha família sofrer muito".
Apesar das histórias tristes, a esperança é que tudo se transforme em motivação para o futuro. A Fundação Casa oferece ainda espaço nas paredes para que os internos desenvolvam a arte do grafite, além de atendimento psicológico, enfermaria e dentista. No terceiro andar há uma quadra poliesportiva bastante utilizada pelos jovens.