Rebeliões, fugas, denúncias de maus-tratos aos jovens e superlotação. Essa era uma realidade da antiga Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem). Desde 2006, o Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente (Fundação Casa) tenta desmistificar esse estereótipo. Antes, os jovens ficavam em grandes complexos na capital. De acordo com dados da própria Fundação, existem hoje 145 centros socioeducativos no Estado de São Paulo, abrigando 8.554 adolescentes. A reportagem conheceu a unidade de Itaquaquecetuba, localizada no bairro Perobal, a Casa Itaquá.
A construção de novos centros permitiu que cada unidade tivesse, em média, capacidade para 64 internos. Só no Alto Tietê, são quatro centros: um em Arujá, dois em Ferraz de Vasconcelos e dois em Itaquaquecetuba. Entretanto, as unidades recebem jovens de Guarulhos e cidades da região do Vale do Paraíba. "É uma rotina totalmente pedagógica, de manhã eles fazem atividade de ensino formal e à tarde são atividades livres, de cultura e cursos profissionalizantes", contou o diretor da unidade Casa Itaquá, Rodrigo Cassiano Rossanese.
Aos sábados, as famílias podem visitá-los das 9 às 12 horas, ou programar um dia específico. Já aos domingos, os internos ficam livres para realizar as atividades que quiserem. "Hoje temos uma relação estável entre os jovens, estamos há 700 dias sem nenhum problema. É um ambiente agradável e todos são receptivos", afirmou o diretor. Durante a internação, o ponto principal é a busca pela evolução do jovem, pois ele começa a acreditar no próprio potencial. "É literalmente a evolução do jovem, ele tem mais interesse, consegue ver coisas que não via fora daqui, cria uma relação com a família e fortalece vínculos", declarou o diretor adjunto, Fábio Castro. (L.P.)