O Fundo Social de Solidariedade de Mogi das Cruzes promoveu ontem o último evento gastronômico do ano. Para celebrar um dos projetos de sucesso de 2018, foi promovido um almoço na Escola de Empreendedorismo e Inovação (EEI), preparado por alunos do curso de Gastronomia Clássica e atendidos pelo programa Acessuas.
O programa Acessuas tem por finalidade promover o acesso de usuários dos programas de Assistência Social a oportunidades de geração de emprego e renda. E, ao articular a composição das primeiras turmas dos cursos na EEI, o Fundo Social decidiu destinar duas turmas do curso de Gastronomia a jovens atendidos pelo programa.
Como resultado, essas turmas acumulam histórias de superação e também do despertar de vocações. Para alguns, estar ali significou deixar para trás uma trajetória conturbada. É o caso de Roger Eduardo Ferreira Paiva, de 16 anos, que costumava praticar roubos e acabou preso. Em julho deste ano, ele terminou de cumprir sua pena na Fundação Casa e logo se deparou com a oportunidade de fazer o curso, com intermédio do Crea do Jundiapeba. "Aqui eu aprendi que a gente precisa se esforçar e mostrar capacidade. Agora quero ficar tranquilo. E vi também que aqui todos são amigos. A união faz a força", destacou.
Existem aqueles que não só pensam em transformar o curso em profissão, como já estão inseridos no mercado de trabalho. É o que aconteceu com Breno Felipe, de 16 anos, e morador de Jundiapeba. Breno já cozinhava em casa, para ajudar na alimentação da família, mas não sabia as teorias de preparo de receitas e nem algumas técnicas, como fazer massa de macarrão, quiche e molho barbecue.
O aprendizado obtido no curso o ajudou a conquistar um estágio no Caqui Bistrô, restaurante situado em uma das regiões mais nobres e badaladas da cidade. "Lá eu ajudo na preparação dos alimentos, com cortes e coisas assim. Fico lá das 13 às 18 horas", contou, acrescentando que já vê a gastronomia como sua profissão.
O monitor da turma, Vitor Moreira, contou que a experiência de dar aulas para as turmas do Acessuas foi algo transformador. Formado em Gastronomia pela Universidade Anhembi Morumbi, o chef teve a grande oportunidade de início da carreira quando coordenou a cozinha da Vila de Atletas durante as Olimpíadas no Rio de Janeiro. Voltou para Mogi, abriu um food truck e depois começou a dar aulas. A princípio, foi professor do Centro Municipal de Apoio à Educação de Jovens e Adultos (Crescer) e, depois, convidado para se tornar monitor dos jovens alunos da Escola de Empreendedorismo e Inovação.
"Entrei com medo, achando que seria muito difícil, mas tem sido muito gratificante. Aqui temos jovens com inúmeras dificuldades socioeducativas e situações complicadas em casa, mas o acolhimento e o amor que eles têm demonstrado são incríveis. Percebi que o que eu mais gosto mesmo é passar o que eu sei adiante e tento passar a eles também que essa é uma oportunidade de mudança de vida", concluiu.