A idealizadora do projeto Mamas do Amor, Fernanda Chahin Bali de Aguiar, esteve em Mogi na tarde de ontem, para a capacitação e início da confecção de mamas de alpiste na cidade. Ela foi recepcionada pela presidente do Fundo Social de Solidariedade, Karin Melo, e por voluntárias do programa Família Solidária, que ficarão responsáveis pela produção das mamas na cidade.
Fernanda fez uma apresentação do projeto e falou sobre sua história de vida e luta contra o câncer. Na sequência, ensinou as voluntárias o passo a passo da produção das mamas, que são confeccionadas à base de alpiste e meias finas. Só ontem, já foram feitas cerca de 50 mamas, de diferentes tamanhos, que já estão disponíveis para doação.
O projeto é voltado para mulheres que batalharam contra o câncer de mama, precisaram se submeter à cirurgia de mastectomia (remoção da mama) e não puderam ou quiseram fazer cirurgia de reconstrução. As mamas de alpiste funcionam como próteses externas e são feitas do tamanho 40 ao 54.
"Boas ideias existem para servirem de exemplo e serem replicadas. É uma grande honra trazer esse projeto para a região, porque sabemos que há muitas mulheres que precisam e vão se interessar. Devo a concretização desse projeto mais uma vez às voluntárias do Família Solidária", destacou Karin.
Fernanda Chahin é vítima do câncer, direta e indiretamente, há quase 20 anos. Aos 32 anos, perdeu o marido para a leucemia, anos depois foi diagnosticada com câncer de tireoide e, alguns anos mais tarde, com câncer de mama. Submeteu-se à mastectomia e retirou as duas mamas. A cirurgia de reconstrução não foi bem-sucedida em razão de uma séria infecção, então, a partir disso, começou a desenvolver a técnica, utilizando alpiste e meias. Vendo que a ideia deu certo, lançou o projeto em 2016. Desde então, a iniciativa só cresceu em número de apoiadores e doações. Em dois anos, já foram mais de 7 mil pares de mamas doados para todo o mundo.
As mamas duram 12 meses e requerem alguns cuidados específicos: devem ser guardadas em lugares frescos e arejados e não podem ser molhadas, mas usá-las no mar ou piscina é possível, desde que elas sejam revestidas por um preservativo. Outra orientação importante é que as mamas só podem começar a ser utilizadas pelas mulheres depois que o processo de cicatrização estiver 100% concluído.
O projeto funciona por meio de um site, em que as pacientes podem fazer o pedido conforme o tamanho. Mas aqui na cidade, o Fundo Social e o Família Solidária também ficarão responsáveis pela distribuição. A ideia é que elas sejam disponibilizadas de forma paralela às perucas do projeto Cabelegria.
Mais informações devem ser obtidas com o Fundo Social, pelo telefone 4798-5143.