O programa "Família Acolhedora" foi lançado na semana passada pela Prefeitura de Mogi das Cruzes, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social. A ação visa dar condições familiares a crianças e jovens em situação de vulnerabilidade, por meio do acolhimento de famílias cadastradas no programa. A diferença desse processo para a adoção é que o acolhimento é provisório e não definitivo. Conforme informou a Prefeitura de Mogi, uma das cidades-modelos que serviram de incentivo para que o programa fosse implantado por aqui é Cascavel, no Paraná. A reportagem entrou em contato com as famílias acolhedoras paranaenses, que relataram suas experiências em acolher as crianças e adolescentes.
O principal objetivo do programa é garantir um acolhimento provisório para os jovens aos quais foram aplicados ações de proteção por motivo de abandono ou violação de direitos, cujas famílias ou responsáveis encontrem-se temporariamente impossibilitados de cumprir sua função de amparo e proteção.
A auxiliar de microbiologia e moradora do bairro Interlagos, em Cascavel, Mayara Kuerten Camilo, 27 anos, informou que é mãe acolhedora há quatro anos. "Conheci o programa pela minha sogra, ela também é mãe acolhedora e eu sempre olhava o trabalho dela e admirava sua coragem. Um dia decidi parar de admirar e fazer o mesmo", disse.
Após a família decidir acolher uma criança, é necessário fazer um cadastro no programa e passar por diversas etapas de capacitação. "Eles nos explicaram como funciona o programa, quem são as crianças, como será a mudança, entre outros. Após essa etapa, eles cadastram nossa família e depois nos chamam para acolher as crianças. Já acolhemos desde bebês à adolescentes", afirmou.
Atualmente, Mayara oferece cuidados a um jovem em sua casa. "Estou com um adolescente que nasceu para mim em março deste ano. Não existe nada mais gratificante no mundo do que acolher, dar e receber amor. O acolhimento nos transforma todos os dias. Passei a ver a vida de outra maneira", concluiu.
Já a dona de casa e moradora do bairro São Cristóvão, Rosângela Aparecida Oliveira, 56 anos, comunicou que é mãe acolhedora há sete anos e já foi madrinha de casamento de uma jovem acolhida. "Já tive muitas crianças na minha casa e mantenho contato com elas. Sou como uma mãe ou uma avó para elas. Inclusive, eu e meu marido fomos padrinhos de casamento de uma menina que acolhemos".
Para as famílias que estão interessadas em acolher os jovens, Rosângela aconselhou o amor e a paciência. "Temos que ter muito carinho com essas crianças. Também é um trabalho muito gratificante e acredito que muitas famílias irão gostar de passar por essas etapas da vida", finalizou.
Cadastro
As famílias interessadas no acolhimento em Mogi das Cruzes poderão fazer o cadastro no site da prefeitura e se inscreverem no programa "Família Acolhedora". Há alguns critérios que os futuros responsáveis deverão possuir para contemplar as medidas do programa, como residir no município, não possuir antecedentes criminais, não estar inscrito no cadastro de adoção, entre outros.
*Texto sob supervisão do eleitor.