Cinco anos após a primeira morte que chocou Mogi das Cruzes e todo o Alto Tietê, em novembro de 2013, o ex-policial militar Fernando Cardoso Prado de Oliveira foi a júri popular na tarde de ontem no Fórum de Braz Cubas. Ele foi denunciado pelo Ministério Público (MP) como autor da morte de Matheus Aparecido da Silva, 16 anos, e por homicídio tentado de outros dois jovens na madrugada do dia 15 de novembro de 2013.
A reportagem do Grupo Mogi News de Comunicação acompanhou o grupo "Mães Mogianas" em frente ao fórum. Elas estavam no local desde as 9 horas da manhã, utilizando faixas com a foto dos filhos penduradas nas grades do portão, aguardando para entrar no prédio da Justiça de Mogi. Cardoso é ainda acusado de participar de outras mortes junto com o policial militar Vanderli Messias Barros. Ambos estão detidos no presidio de Romão Gomes, em São Paulo
Pouco antes de o julgamento começar houve um início de confusão quando a família de Cardoso chegou ao local. A mãe dele, uma senhora já de idade e algumas mães das vítimas começaram a discutir, já que ela teria dito que o filho "apenas fez justiça". Emocionado, o grupo gritava palavras de apoio. Uma das mães que sofre com a perda do filho é Silvana Aparecida Melo, de 47 anos. O filho dela, Luis Santana, foi assassinado no dia 21 de novembro de 2014, na época com 18 anos. "Fiquei sem chão, acabou comigo. Todo mundo fala que foi o Cardoso e estou aqui porque todas nós estamos juntas e o filho de uma é o filho da outra", disse.
Espera para entrar
Aguardando para entrar no fórum, estava o pai de Thiago Donizete da Luz, morto aos 16 anos. O ferroviário Antônio da Luz, 55, afirmou que desde que aconteceu o caso os dias têm sido difíceis para a família. "Estamos na luta, mas tem sido muito difícil para nós. Hoje (ontem) vai ter uma audiência para esclarecer os fatos", contou. Ao lado, o aposentado Francisco Gomes, 73, explicou que o filho dele, Paulo Gomes, desapareceu no dia 16 de maio de 2006 e acredita que, apesar de já terem se passado 12 anos desde o fato, o filho possa ter sido vítima de uma chacina. "Ele consta como desaparecido e até hoje eu tento encontra-lo. Na época em que aconteceu isso era um ano crítico, acredito que tenha acontecido a mesma coisa que foi com os meninos. Sempre acompanho o grupo, onde elas vão eu estou para dar uma força", finalizou o aposentado.
Júri Popular
O julgamento estava marcado para ter início às 13 horas, mas o público só conseguiu entrar no local depois das 14h30. O júri era formado por três professoras, uma manicure, uma analista de sistemas e dois aposentados. Dos sete escolhidos, havia apenas um homem. A sessão correu durante todo o dia e avançou pela noite. O resultado deverá ser conhecido no dia de hoje.